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Estado de Minas TRÍPOLI

Guardas matam seis imigrantes em centro de detenção na Líbia, diz OIM


08/10/2021 19:19 - atualizado 08/10/2021 19:20

Guardas líbios mataram a tiros nesta sexta-feira (8) seis imigrantes da África subsaariana em um centro de detenção em Trípoli, informou o chefe do escritório da Organização Internacional para as Migrações (OIM) na capital líbia, denunciando as "terríveis" condições de vida no complexo superlotado.

A imprensa líbia exibiu vídeos de centenas de migrantes fugindo do centro.

Um encarregado do Ministério do Interior, citado pela agência líbia de notícias, informou que 2.000 pessoas fugiram.

O incidente ocorreu no centro de detenção Al-Mabani, em Trípoli, onde cerca de 3.000 imigrantes estão retidos, disse à AFP o chefe da OIM, Federico Soda. "Os guardas mataram um total de seis migrantes", explicou.

"Não sabemos o que provocou o incidente, mas está relacionado com a superlotação de imigrantes no centro. Vivem em condições terríveis e tensas", acrescentou. "Muitos migrantes fugiram durante o caos", emendou Soda.

Segundo o encarregado da OIM, o centro de detenção de Al-Mabani tem capacidade para mil detidos, porém mais de 3.000 estavam no local, inclusive 2.000 fora do prédio principal, mas dentro do perímetro do complexo.

"Sua detenção é arbitrária. Muitos deles estão com os papéis em dia, mas estão bloqueados no país", disse.

Imagens divulgadas pela imprensa local mostram dezenas de migrantes correndo pelas ruas de Trípoli, alguns com as mãos para o alto, pouco após fugirem. Vários pareciam menores de idade.

Uma testemunha contou à AFP ter visto cerca de 500 migrantes avançando por uma avenida comercial próxima do centro de detenção.

Depois disso, pelo menos 140 pessoas foram detidas pelas autoridades e reunidas em uma ponte da capital, de onde foram embarcadas em ônibus, aparentemente para voltarem ao centro, constatou a AFP.

- "Crimes contra a humanidade" -

A Líbia é um importante ponto de passagem para dezenas de milhares de migrantes, a maioria procedente de países da África subsaariana, que tentam chegar à Europa todos os anos através da costa italiana, a cerca de 300 km da costa líbia.

Várias ONGs denunciam regularmente as condições nos centros de detenção líbios, onde contrabandistas e traficantes se aproveitaram nos últimos dez anos da instabilidade que se seguiu à revolta de 2011, e transformaram o país no eixo do tráfico de seres humanos no continente.

No começo de outubro, uma operação "antidrogas" das autoridades líbias em uma comunidade carente de Trípoli, que envolveu sobretudo migrantes sem documentos, deixou um morto e pelo menos quinze feridos, segundo a Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia (MANUL).

Ao menos 5.000 pessoas, inclusive mulheres e crianças, foram detidas, segundo a organização Médicos sem Fronteiras (MSF), que denunciou "detenções maciças e aleatórias".

"Estamos cada vez mais alarmados pela situação humanitária dos solicitantes de asilo e dos refugiados" na Líbia, sobretudo após esta operação, que "semeou o pânico e o medo entre os solicitantes de asilo e os refugiados da capital", declarou, por sua vez, Ayman Gharaibeh, diretor do escritório do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) para o Oriente Médio e o Norte da África.

Enquanto isso, a Anistia Internacional criticou o "uso da força mortal ilegal e outras formas de violência durante esta operação sem precedentes".

- Tragédias -

Na segunda-feira, uma missão de investigação de especialistas da ONU publicou um relatório no qual denunciou "crimes de guerra" e "crimes contra a humanidade" cometidos na Líbia desde 2016, especialmente contra migrantes.

A Líbia é cenário de uma série de tragédias com a imigração ilegal. Na terça-feira foram encontrados os corpos de 17 migrantes na costa do país, após o naufrágio da embarcação em que viajavam.

O número de migrantes mortos no mar durante a travessia para a Europa dobrou este ano em comparação com o mesmo período de 2020, segundo dados da OIM de julho.

Em setembro, a OIM contabilizou 1.369 migrantes afogados no Mediterrâneo este ano.

A Líbia tenta virar a página de uma década de caos desde a queda, em 2011, do regime de Muamar Kadhafi, deposto e morto após oito meses de uma revolta popular no rastro da Primavera Árabe.


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