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Estado de Minas MÉXICO

México, o 'muro' dos Estados Unidos no caminho dos migrantes


07/10/2021 17:55

Com os Estados Unidos rejeitando migrantes, o México também adota uma dura política migratória com as milhares de pessoas que tentam chegar a este país por seu território.

Tanto com Joe Biden na Casa Branca quanto como Donald Trump, os Estados Unidos ainda querem que "o México seja uma espécie de muro para os migrantes", diz à AFP o cientista político Gaspard Estrada, especialista em América Latina.

O ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda disse a uma revista em 2019 que no tema migratório, o México está fazendo o "trabalho sujo para os Estados Unidos".

O número de migrantes que tentam chegar aos Estados Unidos pelo México aumentou nos últimos anos. O país, que receberá na sexta-feira o secretário de Estado americano, Antony Blinken, registrou 90.314 pedidos de asilo de janeiro a setembro deste ano, segundo a Comissão Mexicana de Ajuda aos Refugiados(COMAR).

É um número superior às 70.406 solicitações de 2019 e aos 41.509 pedidos de refúgio de 2020.

Assim como em outros anos, Honduras ocupa o primeiro lugar, com 31.884 solicitações. No entanto, os pedidos dos migrantes haitianos aumentaram de 5.954 em 2020 para 26.007 este ano.

Ao mesmo tempo, o México expulsou cerca de 54.000 migrantes em 2021, segundo o diretor da ONG Humans Rights Watch (HRW) para a América Latina, José Miguel Vivanco.

- Bloqueados no México -

Milhares de migrantes que tentam chegar aos Estados Unidos estão bloqueados em Tapachula, no estado de Chiapas (sul), onde alguns levam meses esperando documentos que lhes permitam permanecer no México.

Além disso, nas últimas semanas as forças de segurança mexicanas têm evitado a formação de caravanas de migrantes rumo aos Estados Unidos.

O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, disse em setembro que não queria que seu país se tornasse "um acampamento de migrantes", ao se referir aos milhares de migrantes haitianos que tentavam chegar aos Estados Unidos através do México.

A maioria deles, vindos de Brasil e Chile, entendeu mal um anúncio de Washington sobre uma extensão dos prazos para regularização, segundo o chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, que sugeriu que vários deles poderiam se beneficiar do status de refugiado no México.

"Nós, haitianos, temos o sonho de chegar aos Estados Unidos porque lá a vida é melhor para nossas famílias, mas a migração não deixa ninguém passar, por isso estamos aqui", disse à AFP Joseph Yorel, de 34 anos, juntamente com sua esposa e seu bebê em um refúgio na cidade de Monterrey (norte).

"Não sei quanto aos outros, mas se eu encontrar um trabalho para viver no México, para manter minha família, tenho que ficar. Se encontrar, não tenho problemas em continuar aqui", acrescentou Yorel, que saiu do Chile e depois atravessou uma dezena de países para chegar ao México.

No entanto, para os milhares de haitianos, parece que o sonho mexicano também está fora do alcance.

Nesta quarta-feira, o México repatriou os 129 migrantes a Porto Príncipe, o segundo voo deste tipo desde o fim de setembro.

As autoridades mexicanas realizaram este voo de repatriação "com apego aos direitos humanos e em acordo com autoridades consulares deste país", assegurou o Instituto Nacional de Migração (INM).

Antes da sua partida, os migrantes protestaram. Um vídeo da Humans Right Watch, que Vivanco compartilhou, mostrou um migrante pulando das escalas em que embarcaria no avião que o levaria de volta ao Haiti.

- O problema de fundo -

O presidente López Obrador tem insistido em que se "atenda o problema de fundo", em alusão à pobreza nos países de origem dos migrantes, principalmente Haiti e América Central.

"Os Estados Unidos não investem na América Latina e no Caribe para apoiar os povos pobres", disse.

Particularmente, o presidente mexicano pede que seu vizinho abandone a Iniciativa Mérida, que Washington lançou em 2008 para financiar o combate ao narcotráfico. Desde então, foram investidos 3 bilhões de dólares nestes esforços.

Ao contrário, "estamos solicitando o apoio dos Estados Unidos, mas para os países da América Central", disse López Obrador às vésperas da visita de Antony Blinken.


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