Jornal Estado de Minas

PARIS

Mundo acadêmico francês enfrenta múltiplas interferências da China, diz relatório

O mundo acadêmico francês está submetido a múltiplas interferências da China, que incluem pressões e censura, segundo um relatório parlamentar publicado nesta terça-feira (5).



O relatório, realizado por uma missão de informação do Senado francês, descreve o "lugar preponderante, mas não exclusivo, da China em relação à influência".

Também cita outros países como Rússia, Turquia e alguns Estados do golfo Pérsico.

"Mas nenhum deles tem os meios ou o nível de estratégia da China, que joga em vários níveis e não esconde mais seu desejo de ocupar uma posição central nas relações internacionais", afirma.

Vários países ocidentais já expressaram publicamente sua preocupação com a estratégia de influência da China em suas universidades.

"É importante que os países envolvidos se coordenem", disse o expoente do relatório, André Gattolin.

O documento, de 240 páginas, descreve "tentativas de influência" que "não se limitam mais a questões de inteligência econômica, mas se estendem à liberdade acadêmica e à integridade científica".



Entre suas ferramentas estão os Institutos Confúcio (IC), presentes no mundo todo.

Assim como os institutos espanhóis, alemães e franceses, pretendem divulgar a cultura chinesa, mas seus críticos os acusam de serem instrumentos de propaganda, de ameaçar a liberdade acadêmica de seus sócios e inclusive de abrigar espiões.

O relatório recomenda, particularmente, "elevar a questão das interferências estrangeiras à classificação de prioridade política" e lamenta a "banalização" de falar de "trolls" russos ou de ciberataques da Rússia e China.

Os autores destacam o dilema das universidades, que por natureza são intelectualmente abertas, mas que agora devem adotar uma vigilância constante, especialmente com seus estudantes estrangeiros.

O relatório também recomenda desenvolver uma estratégia na escala da União Europeia, realizar uma auditoria de segurança dos sistemas de computador das universidades e criar um "regime de transparência sobre a origem do financiamento de projetos extraeuropeus".

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