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Estado de Minas MANILA

Filho do ditador Ferdinand Marcos anuncia candidatura à presidência das Filipinas


05/10/2021 08:25 - atualizado 05/10/2021 08:25

O filho do ex-ditador das Filipinas Ferdinand Marcos, de mesmo nome, anunciou nesta terça-feira (5) que será candidato às eleições presidenciais de 2022, em mais uma tentativa da polêmica família de recuperar o protagonismo político no país.

Ferdinand "Bongbong" Marcos Jr, que quase conquistou a vice-presidência das Filipinas nas eleições de 2016, anunciou a candidatura em uma live no Facebook.

"Hoje anuncio minha intenção de postular a presidência das Filipinas nas eleições de maio de 2022", anunciou o político de 64 anos, que se une a um grande número de candidatos que desejam suceder o também polêmico Rodrigo Duterte.

"Vou devolver (...) uma liderança unificadora ao país", disse.

Marcos Jr defende a violenta guerra contra as drogas e as penas de morte contra os traficantes que marcaram a presidência de Duterte e que estão sendo investigadas atualmente pelo Tribunal Penal Internacional.

Uma pesquisa recente do instituto PulseAsia Research mostrou o filho do ditador em segundo lugar nas intenções de voto, atrás apenas da filha do atual presidente, Sara Duterte.

Manny Pacquiao, astro do boxe que anunciou a aposentadoria recentemente, e o prefeito de Manila, o ex-ator Francisco Domagoso também anunciaram suas candidaturas à presidência.

Em 2016, Marcos Jr perdeu de forma apertada a disputa pela vice-presidência para Leni Robredo, o que foi um duro golpe para a família.

Seu pai, eleito presidente em 1965, comandou uma ditadura nas Filipinas entre 1972 e 1986, quando uma revolta popular o expulsou do poder e obrigou toda a família a partir para o exílio nos Estados Unidos.

Ferdinand Marcos foi acusado de torturas e assassinatos, além de corrupção, assim como sua esposa Imelda, conhecida pela vida de luxo e extravagante em um país muito pobre.

Após a morte do ditador no Havaí em 1989, seus parentes foram autorizados a voltar e participar ativamente na vida política das Filipinas.

Marcos Jr foi senador entre 2010 e 2016 e sua mãe Imelda afirma que sonhou que o filho seria presidente do país.

A matriarca da família foi deputada por três legislaturas consecutivas e outra filha do ditador, Imee, é senadora atualmente.

A grande influência na política filipina não esconde a elevada polarização a respeito de Marcos Jr, que defende o governo do pai, ao minimizar os abusos aos direitos humanos e enaltecer o crescimento econômico.

Também afirma que era muito jovem para assumir responsabilidades, mas os críticos recordam que foi governador provincial de 1983 a 1986.

"Sua candidatura é uma demonstração da falta de consideração e desprezo com os milhares de filipinos assassinados, desaparecidos, torturados, deslocados e violentados pelo regime de seu pai", afirmou uma coalizão anti-Marcos.

O analista político Richard Hyedarian considera que a família observa uma oportunidade para completar sua "reabilitação".

Imelda Marcos quer "um momento de reivindicação histórica" aparecendo mais uma vez na varanda do palácio presidencial, tomado em 1986 durante os protestos populares.

O atual presidente é próximo da família. O governo ofereceu aos restos mortais do ditador um funeral como herói nacional e propôs publicamente relaxar a busca por sua fortuna oculta.

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