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Estado de Minas LONDRES

OPEP+ mantém linha de aumento moderado da produção de petróleo


04/10/2021 15:14

O mercado do petróleo esperava alguma ação, mas os países-membros da OPEP+ decidiram, nesta segunda-feira (4), manter sua estratégia de aumento moderado da produção para novembro, ignorando os apelos para abrir mais a torneira.

Os treze membros da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e seus aliados por meio do acordo OPEP+, liderados respectivamente pela Arábia Saudita e pela Rússia, "confirmaram o ajuste acima da produção global mensal de 400.000 barris por dia para o mês de novembro", anunciou o cartel em um comunicado divulgado após seu breve encontro por videoconferência.

A decisão está em linha com a política da aliança decidida em julho, mas vai contra as expectativas dos mercados.

Vários atores e observadores apostavam em uma aceleração do ritmo de produção, em resposta ao forte aumento dos preços nas últimas seis semanas, de mais de 20% no caso do Brent, a referência do petróleo europeu, e do WTI, seu homólogo dos Estados Unidos.

Na expectativa de uma alta mais acentuada da oferta de petróleo bruto, os mercados reagiram fortemente depois desta decisão. As duas referências de um e de outro lado do Atlântico - o petróleo WTI, dos Estados Unidos, e o Brent, do Mar do Norte - subiram temporariamente mais de 3% em suas cotações.

Chegando a US$ 78,38 e a US$ 82, respectivamente, alcançam níveis que não eram vistos desde novembro de 2014, no primeiro caso, e desde novembro de 2018, no segundo.

- Risco -

Antes da cúpula, o secretário-geral da OPEP, Mohamed Barkindo, considerou que a estratégia era pertinente porque contribui para "responder ao aumento gradual da demanda sem sobrecarregar a oferta".

Os produtores afirmam em seu comunicado que a decisão leva em consideração "os fundamentos atuais do mercado do petróleo".

Os preços altos são muito benéficos para as finanças dos produtores, prejudicadas pela crise da covid-19.

Por outro lado, o aumento do preço do petróleo fomenta a inflação e ameaça a recuperação de economias frágeis, um grave risco para a demanda a médio prazo.

Esse não é o único efeito contraproducente para os produtores, já que os preços altos atraem novos concorrentes para o mercado porque seus campos de petróleo se tornam mais lucrativos. Além disso, os compradores podem optar por outras fontes de energia mais limpas.

Em um estudo recente, os analistas do Morgan Stanley estimam que com o barril a 80 dólares, será alcançada uma zona de "destruição da demanda". No entanto, no contexto atual, Goldman Sachs prevê que o Brent vai disparar para 90 dólares até o final do ano.

- Querer e poder -

Mas... O cartel teve escolha? Cada vez mais vozes questionam se a OPEP+ tem uma capacidade real de aumentar a produção a um ritmo mais sustentado.

"A questão mais importante talvez seja saber se a OPEP+ será capaz de alcançar seu objetivo", reagiu Kieran Clancy, analista da Capital Economics.

A maioria dos membros respeita perfeitamente os limites, ou até produz menos do que é permitido.

Para um grupo geralmente mais inclinado aos excessos, este indicador sugere que a OPEP+ poderia estar perto de seus limites em termos de aumento do volume, embora continue mostrando uma "reserva" de produção diária de cerca de cinco milhões de barris.

Nigéria, Angola e Líbia "continuam enfrentando seus eternos problemas de infraestrutura, investimento e segurança", explicou na semana passada Helima Croft, da RBC.

Os membros da aliança de produtores decidiram que vão se reunir novamente em 4 de novembro.

MORGAN STANLEY

GOLDMAN SACHS GROUP

BANQUE ROYALE DU CANADA


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