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Estado de Minas PARIS

As revelações em série do ICIJ antes dos 'Pandora Papers'


04/10/2021 11:52

Antes dos "Pandora Papers" publicados no domingo (3), o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) revelou, graças a vazamentos de documentos, uma série de esquemas de evasão fiscal e lavagem de dinheiro.

Confira, a seguir, suas principais revelações ao longo dos anos:

- Offshore Leaks -

O ICIJ (International Consortium of Investigative Journalists) adquiriu 2,5 milhões de documentos (entre e-mails, memorandos internos, notas contábeis e outros papéis) de 122.000 sociedades offshore, administradas em Singapura e nas Ilhas Virgens britânicas.

Em 2013, os veículos de comunicação associados ao consórcio revelaram os nomes de alguns dos detentores de interesses em paraísos fiscais. Entre eles, estava o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev.

Uma base de dados "Offshore Leaks" acessível no site do ICIJ permite estabelecer os vínculos entre as empresas de fachada e seus beneficiários.

- China Leaks -

Foi a segunda parte das revelações dos "Offshore Leaks", publicada em 2014, devido a dificuldades de tradução.

O consórcio revela investimentos em paraísos fiscais de autoridades chinesas, muitos delas relacionadas com o presidente Xi Jinping.

Como represália, as autoridades bloquearam o acesso aos sites do ICIJ e dos veículos associados.

- Luxleaks -

No final de 2014, o ICIJ denunciou um sistema de acordos entre Luxemburgo e 340 multinacionais, entre elas Apple, Amazon e Ikea, para minimizar seus impostos.

Os acordos datavam de entre 2002 e 2010, quando Jean-Claude Juncker era primeiro-ministro do país europeu. Apesar de tudo, Juncker foi mantido na direção da Comissão Europeia.

A investigação se baseou em documentos transmitidos por dois lançadores de alertas, Raphaël Halet e Antoine Deltour, ex-funcionários do escritório de auditorias PwC, ao jornalista Edouard Perrin.

Os dois denunciantes foram acusados, em Luxemburgo, de roubo e violação de sigilo, com multas e condenações curtas à prisão com suspensão da pena. O jornalista foi absolvido.

- SwissLeaks -

Em 2015, o ICIJ revelou as práticas de evasão fiscal de clientes do banco HSBC, com base em dados no intervalo de 2005 a 2007. Bilhões de propriedades em contas não declaradas em Genebra estavam escondidas atrás de estruturas offshore, às vezes criadas pelo próprio banco.

Várias personalidades estavam envolvidas, incluindo o rei do Marrocos, Mohamed VI; o rei da Jordânia, Abdullah II; e um primo do presidente sírio, Bashar al-Assad.

Os jornalistas tiveram acesso a uma parte dos documentos roubados pelo ex-cientista da computação franco-italiano do HSBC Hervé Falciani. Ele foi condenado à revelia a cinco anos de prisão pela Justiça suíça, em 2015, por espionagem econômica.

- Panama Papers -

O vazamento de 11,5 milhões de documentos do escritório de advogados panamenho Mossack Fonseca permitiu uma gigantesca investigação que revelou o dinheiro oculto de dezenas de autoridades políticas, milionários e estrelas de futebol, assim como o envolvimento de grandes bancos na criação de sociedades offshore.

As publicações iniciadas em 2016 levaram, por exemplo, à demissão do então primeiro-ministro islandês, Sigmundur David Gunnlaugsson, e à destituição do então premiê paquistanês, Nawaz Sharif.

Depois dos "Panama Papers", pelo menos 150 investigações foram lançadas em mais de 70 países por evasão fiscal e por lavagem de dinheiro, segundo o ICIJ.

- Paradise Papers -

No final de 2017, os "Paradise Papers", baseados em 13,5 milhões de documentos financeiros procedentes de um escritório internacional de advogados nas Bermudas, revelaram circuitos planetários de otimização fiscal usados por personalidades - como o cantor Bono, a rainha Elizabeth e o piloto Lewis Hamilton - e por alguns grupos internacionais, incluindo Nike, Apple e Uber. Todos afirmaram recorrer a esquemas legais.

- Luanda Leaks -

No início de 2020, o ICIJ publicou os "Luanda Leaks", acusando Isabel dos Santos, filha do ex-presidente angolano José Eduardo dos Santos, de ter-se apropriado da economia de seu país.

Três dias depois, a bilionária foi acusada pela Justiça de Angola por fraude, desvio de verba e lavagem de dinheiro. A Justiça portuguesa congelou suas contas e alguns de seus ativos em Portugal.


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