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Estado de Minas BARCELONA

Puigdemont volta ao centro do debate após detenção em Sardenha


01/10/2021 15:40 - atualizado 01/10/2021 15:49

Com um perfil mais discreto na Bélgica, a breve detenção de Carles Puigdemont em Sardenha o colocou novamente no centro do debate. O líder separatista catalão voltou a protagonizar as notícias internacionais e, com ele, a linha mais dura do secessionismo, crítica à negociação estabelecida com Madri.

Na próxima segunda-feira (4), o ex-presidente regional deverá comparecer a um juiz de Sassari, em Sardenha, Itália, que deve decidir sobre o pedido de extradição formulado pela Espanha, onde Puigdemont é exigido por sedição e malversação de fundos pelo seu papel na fracassada tentativa de secessão de 2017.

Na noite de 23 de setembro, apenas uma semana após a retomada do diálogo entre o governo central e o regional, o delicado equilíbrio para superar a crise catalã voltou a balançar. O agora eurodeputado Carles Puigdemont foi preso ao chegar em Alguer para participar de um festival cultural.

Instalado na Bélgica desde o fracasso separatista, não foi a primeira vez em que foi detido desde 2017. Esta nova prisão, a terceira, ocorreu em um contexto novo: em plena distensão entre Madri e Barcelona.

"Essa detenção é boa para todos que querem acabar com a mesa de negociação. É boa para o Junts [partido de Puigdemont] e para a direita espanhola", estimou a professora de ciências políticas da Universidade Oberta da Catalunha, Ana Sofía Cardenal.

- Imunidade parlamentar -

A equipe jurídica do líder separatista apresentou, nesta sexta-feira, à Justiça europeia um pedido de medida cautelar para suspender o levantamento de sua imunidade parlamentar.

Uma fonte da quipe de advogados de Puigdemont explicou à AFP que o pedido de "medida cautelar solicita que fique suspenso o levantamento da imunidade legislativa" do líder catalão, aprovada pelo Parlamento Europeu em março.

Como a demanda foi apresentada em forma de "medida cautelar", o Parlamento Europeu e o governo da Espanha deverão ser consultados, explicou.

Em julho, o Tribunal Geral da UE (TGUE) estimou que a imunidade parlamentar de Puigdemont continuaria suspensa, mas considerou também que as ordens de prisão estavam momentaneamente sem efeito, porque a Justiça espanhola interpôs "questões prejudiciais".

Essa determinação do TGUE permitiu que Puigdemont viajasse com segurança para Estrasburgo e Paris como eurodeputado, mas na semana passada, ao chegar em Sardenha, foi preso, apesar de ter sido libertado um dia depois.

- "Fazer o ridículo" -

A vitória este ano nas eleições regionais do Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), apoio da coalizão minoritária de Sánchez no Congresso espanhol, abriu uma nova etapa que depois se traduziu na concessão de indultos aos líderes separatistas na prisão.

No entanto, nem todo o separatismo vê essa aproximação com bons olhos, quando suas duas grandes exigências - a realização de um referendo de autodeterminação e a anistia para os processados - permanecem inaceitáveis para Madri.

Um dos maiores céticos é o próprio Puigdemont, que afirmou no início do mês que "o confronto com o Estado não pode ser evitado" e cujo partido Junts decidiu finalmente não sentar-se à mesa.

Há apenas quatro anos, a Catalunha que ele presidia intensificou seu conflito com o Estado com a celebração de um referendo ilegal, marcado por cenas de violência policial, em um dos ápices da maior crise política vivida pelo país desde o fim da ditadura franquista em 1975.

"A Espanha nunca perde as oportunidades de fazer o ridículo", disse Puigdemont nesta sexta-feira, ao sair da prisão em Sardenha.

Após uma noite detido, foi solto com o compromisso de comparecer em 4 de outubro a uma audiência que, segundo seus advogados, sem dúvida terminará com o indeferimento do pedido de extradição.


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