UAI
Publicidade

Estado de Minas 'LEI ISLÂMICA'

Afeganistão sob o Talebã: grupo fundamentalista proíbe barbeiros de cortarem barbas

As novas normas contrastam com as recentes promessas de moderação feitas pelo próprio grupo fundamentalista ao assumir novamente o governo.


27/09/2021 10:13 - atualizado 27/09/2021 11:01


Após a queda do Talebã do poder em 2001, muitos homens passaram a frequentar barbeiros em busca de visual diferente
Após a queda do Talebã do poder em 2001, muitos homens passaram a frequentar barbeiros em busca de visual diferente (foto: Getty Images)

O Talebã proibiu cabeleireiros na província de Helmand, no Afeganistão, de raspar ou aparar barbas. Segundo o grupo fundamentalista que tomou o poder no país em agosto , a prática viola sua interpretação da lei islâmica.

Qualquer um que violar a regra será punido, disse a polícia religiosa do Talebã.

Alguns barbeiros da capital do país, Cabul, disseram que também receberam ordens semelhantes.

As novas normas ilustram um retorno às regras rígidas que marcaram o período linha-dura do Talebã, quando esteve no poder até ser deposto pelos Estados Unidos no início dos anos 2000. As mudanças atuais contrastam com as recentes promessas de moderação feitas pelo próprio grupo fundamentalista ao assumir novamente o governo.

Desde que tomou o poder em agosto, o Talebã aplicou punições severas aos oponentes. No sábado, combatentes do grupo mataram quatro homens acusados de sequestro e seus corpos foram pendurados nas ruas da província de Herat.

Foram anunciadas restrições também ao acesso de mulheres à educação, com normas rígidas de vestimenta.

Agora, em aviso publicado em salões de beleza na província de Helmand, no sul do país, oficiais do Talebã alertaram que os cabeleireiros devem seguir a lei Sharia (uma interpretação mais radical da lei islâmica) para cortes de cabelo e barbas.

"Ninguém tem o direito de reclamar", dizia o aviso, visto pela BBC.


Muitos barbeiros disseram que os negócios secaram e devem fechar as portas
Muitos barbeiros disseram que os negócios secaram e devem fechar as portas (foto: Getty Images)

"Os guerrilheiros continuam chegando e nos mandando parar de aparar barbas", afirmou um barbeiro em Cabul à reportagem. "Um deles me disse que podem enviar fiscais disfarçados para nos flagrar."

Outro cabeleireiro, que dirige um dos maiores salões da cidade, disse que recebeu um telefonema de alguém que afirma ser um funcionário do governo. Na ligação, foi instruído a "parar de seguir os estilos americanos" e não raspar ou aparar a barba de ninguém.

Volta à linha-dura

Durante a primeira passagem do Talebã no poder, de 1996 a 2001, os islâmicos linha-dura proibiram penteados extravagantes e insistiram que os homens deixassem a barba crescer.

Mas nos últimos 20 anos os visuais bem barbeados se tornaram populares, e muitos homens afegãos iam aos salões em busca de cortes da moda.


Cenas como essa não devem mais ser vistas no Afeganistão com as novas regras impostas pelo Talebã
Cenas como essa não devem mais ser vistas no Afeganistão com as novas regras impostas pelo Talebã (foto: Getty Images)

Entretanto, os barbeiros e cabeleireiros, que não foram identificados nesta reportagem a fim de protegê-los, dizem que as novas regras estão dificultando seu sustento.

"Por muitos anos, meu salão foi um lugar para os jovens se barbearem como quisessem e estarem na moda", disse um deles à BBC. "Agora não adianta mais manter esse negócio."

"Salões de beleza e barbeiros estão se tornando negócios proibidos", disse outro. "Este foi o meu trabalho por 15 anos e não acho que posso continuá-lo."

Outro barbeiro da cidade de Herat, no oeste do país, disse que embora não tenha recebido nenhuma ordem oficial, ele parou de oferecer cortes de barba.

"Os clientes não raspam a barba porque não querem ser visados %u200B%u200Bpelos combatentes do Talebã nas ruas. Eles querem se misturar e se parecer com eles."

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube ? Inscreva-se no nosso canal!


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade