UAI
Publicidade

Estado de Minas BERLIM

Alemanha entra em período de incerteza após eleições


27/09/2021 13:08 - atualizado 27/09/2021 13:14

A Alemanha entrou nesta segunda-feira (27) em um período de incerteza após uma eleição em que os dois maiores partidos do país defendem o direito de governar a maior economia da Europa, o que provoca indefinição sobre quem será o sucessor de Angela Merkel.

Liderados pelo ministro das Finanças e vice-chanceler Olaf Scholz, o Partido Social-Democrata (SPD) é projetado como o vencedor, com 25,7% dos votos, de acordo com resultados preliminares divulgados pela Comissão Eleitoral.

A aliança conservadora da União Democrata Cristã (CDU), de Merkel, e o partido aliado bávaro, CSU, liderado por Armin Laschet, teria 24,1% dos votos, o pior resultado de sua história de sete décadas.

O Partido Verde aparece em terceiro lugar, com 14,8%, seguido do Partido Democrático Liberal (FDP), com 11,5%, e da legenda de extrema-direita Alternativa para Alemanha, com 10,3%.

"Um governo dirigido pela União é o melhor para o nosso país e nos sentimos igualmente comprometidos com os nossos eleitores", destacou Laschet nesta segunda-feira, depois de ter reivindicado a chancelaria para seu movimento no domingo à noite.

"Nenhum partido", nem mesmo o SPD, obteve "um mandato claro para governar", insistiu.

Embora tenha admitido que a CDU precisa "se renovar", assumiu "pessoalmente sua parte" nesse fracasso, decidido a fazer tudo ao seu alcance para conseguir formar uma maioria governamental.

Um pretensão dificilmente credível para seu rival Olaf Scholz, ministro das Finanças da coalizão cessante, que declarou que, para ele, a direita "recebeu a mensagem dos cidadãos de que não devem estar mais no governo e sim na oposição".

- "Pôquer" -

Na Alemanha, não são os eleitores que escolhem diretamente o chefe de Governo, e sim os deputados, uma vez formada a maioria.

Desta vez, alcançar maioria será algo especialmente complicado, pois deve reunir três partidos, devido à fragmentação do voto. É a primeira vez que isto acontece desde a década de 1950.

"Começa a partida de pôquer", destaca a revista Der Spiegel. "Depois da votação, as perguntas essenciais permanecem em aberto: Quem será o chanceler? Que coalizão governará o país no futuro?".

Tanto Scholz, de 63 anos, como Laschet, de 60, afirmaram que pretendem ter um governo formado antes do Natal.

"A Alemanha vai assumir a presidência do G7", alertou Laschet, alegando que por conta disso o novo governo deve "chegar muito rápido".

A perspectiva de um longo período de paralisia preocupa os sócios europeus de Berlim, enquanto o Velho Continente teme ficar à margem do plano geopolítico diante das rivalidades entre Estados Unidos, China e Rússia.

Durante as negociações da coalizão, Angela Merkel se limitará a administrar os assuntos atuais, com uma presença menor no cenário internacional.

"Embora continue administrando todas as dossiês, a Alemanha perderá a legitimidade de dar forma às iniciativas internacionais", considerou o especialista Christian Molling, em uma análise para o Conselho Alemão das Relações Exteriores (DGPA).

Um vazio que preocupa particularmente a França, que em janeiro assumirá a presidência semestral da União Europeia (UE) e que espera poder contar com seu sócio mais importante para promover suas iniciativas para uma Europa "mais soberana".

A França espera ter "rapidamente" um chanceler alemão "forte" ao seu lado, informou nesta segunda-feira o secretário de Estado francês das Relações Exteriores, Clément Beaune.

Já a Rússia espera que a "relação" entre Moscou e Berlim "continue e se desenvolve ainda mais", segundo declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Perkov.

- Quem terá a chave do governo? -

Liderado por Annalena Baerbock e durante algum tempo considerado favorito, o Partido Verde tem apoio suficiente para influenciar a definição do próximo governo.

Do mesmo modo, os liberais do FDP conquistaram apoio suficiente para ter a chave do governo e virar uma presença inevitável de uma futura coalizão.

Nesta segunda-feira, os Verdes anunciaram as primeiras negociações exploratórias para definir com qual partido estariam dispostos a cooperar.

Uma aliança tripartite com o SPD seria "a opção mais evidente", considerou o co-presidente do partido, Robert Habeck, embora não descarte dialogar com os conservadores.

De acordo com uma pesquisa YouGov, a maioria dos eleitores apoia uma coalizão de centro-esquerda, ecologistas e liberais. E 43% acreditam que Olaf Scholz deve ser chanceler.

A opção de uma coalizão puramente de esquerda parece descartada. O partido de esquerda radical Die Linke teve resultados muito reduzidos.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade