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Estado de Minas CARTUM

Governo afirma que restabeleceu ordem após tentativa de golpe frustrado no Sudão


21/09/2021 14:21 - atualizado 21/09/2021 14:28

O frágil governo de transição no Sudão anunciou nesta terça-feira (21) que impediu uma tentativa de golpe de Estado com a participação de militares e civis vinculados ao destituído ex-presidente Omar al-Bashir.

"Restabelecemos a ordem após a tentativa de golpe executada por oficiais nesta terça-feira", afirmou o ministro da Informação, Hamza Balul, horas depois de a imprensa estatal revelar o movimento.

Ele disse que as autoridades "prenderam os idealizadores do golpe frustrado" e que entre eles há "militares e civis que integraram o regime de Bashir".

Horas antes, fontes do governo e das Forças Armadas afirmaram à AFP que os golpistas tentaram assumir o controle do prédio da imprensa estatal, mas fracassaram e os oficiais envolvidos foram "suspensos imediatamente".

A televisão estatal transmitiu canções patrióticas ao informar a tentativa de golpe e pediu ao povo para "enfrentar" a questão.

Mohamed al-Fekki, integrante do governo de transição, comentou que "tudo está sob controle".

O trânsito parecia normal no centro de Cartum, inclusive ao redor do quartel-general do exército, onde meses de grandes protestos provocaram a queda de Omar al-Bashir em 2019.

As forças de segurança sudanesas, no entanto, fecharam a principal ponte que atravessa o rio Nilo e liga Cartum à cidade de Omdurman.

Os autores "prepararam bem" seu plano, disse o primeiro-ministro Abdullah Hamdok em um discurso televisionado, no qual falou sobre a "deterioração da segurança (...) o bloqueio de estradas, o fechamento de portos e o incitamento contínuo contra os governo civil".

Fez, assim, uma referência aos manifestantes que, desde sexta-feira, bloqueiam Porto Sudão, o centro econômico do país, para denunciar um recente acordo de paz com os rebeldes.

A chamada troika do Sudão, composta por Estados Unidos, Reino Unido e Noruega, por sua vez, condenou a tentativa de golpe, enquanto a missão da ONU no Sudão disse que rejeitava "qualquer apelo para substituir o poder de transição por um poder militar".

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, também condenou e exortou "todas as partes a permanecerem comprometidas com a transição e a realização das aspirações do povo sudanês por um futuro democrático, inclusivo, pacífico e estável".

O Sudão registrou várias tentativas de golpe desde a queda de Bashir, que as autoridades atribuíram a simpatizantes islamitas do ex-presidente e membros de seu partido, que foi extinto.

- Transição -

O país tem uma longa história de golpes. O próprio Bashir, um ex-general, chegou ao poder em um golpe de Estado militar respaldado por islamitas em 1989.

O Sudão está atualmente sob o comando de um governo de transição, formado por representantes civis e militares, instalado após a queda de Bashir em abril de 2019 e que deve supervisionar o retorno a um Executivo civil.

O acordo de divisão do poder, de agosto de 2019, contemplou originalmente a formação de uma Assembleia Legislativa durante uma transição de três anos, mas o prazo foi modificado após a assinatura de um acordo de paz com uma aliança de grupos rebeldes em outubro do ano passado.

Porém, após dois anos, o país continua afetado pelos graves problemas econômicos herdados do governo de Bashir e as profundas divisões entre as facções envolvidas na transição.

Além disso, a esperada Assembleia Legislativa não foi formada.

O governo liderado pelo primeiro-ministro Abdallah Hamdok se comprometeu a resolver os problemas econômicos e alcançar a paz com os grupos rebeldes que lutaram contra o regime de Bashir.

Nos últimos meses, o governo adotou uma série de reformas econômicas para obter um alívio da dívida com o Fundo Monetário Internacional.

As medidas, que incluem o corte de subsídios e uma flutuação controlada da libra sudanesa, foram consideradas muito severas por parte da população.

Protestos esporádicos foram registrados contra as reformas e o aumento do custo de vida, assim como o atraso nos pedidos de justiça por parte das famílias dos mortos sob o governo de Bashir.

Na segunda-feira, manifestantes bloquearam estradas importantes e o Porto Sudão, principal ponto comercial do país, em um protesto contra o acordo de paz de outubro com os rebeldes.


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