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Estado de Minas HOUSTON

Mais de 10 mil migrantes acampam sob ponte na fronteira sul dos EUA


17/09/2021 20:08 - atualizado 17/09/2021 20:14

Mais de 10.000 migrantes, muitos deles do Haiti, acampavam nesta sexta-feira (17) debaixo de uma ponte na fronteira sul dos Estados Unidos, uma crise humanitária que desafia o governo de Joe Biden.

Estes migrantes chegaram à pequena cidade de Del Río, Texas, cruzando o Río Grande, entre o México e os Estados Unidos. Os 2.000 no início da semana se tornaram 10.500 na noite de quinta-feira, disse Bruno Lozano, prefeito desta cidade fronteiriça com a mexicana Ciudad Acuña.

"São principalmente do Haiti e entram ilegalmente (...) Só estão esperando serem detidos pelos guardas fronteiriços" para iniciarem os trâmites de autorização de estadia, explicou em um vídeo publicado no Twitter.

Nesta sexta, o presidente democrata, que espera outras milhares de chegadas, declarou estado de emergência e fechou a ponte ao tráfego.

"As circunstâncias extremas exigem respostas extremas", declarou ao jornal Texas Tribune. "Há mulheres que dão à luz, pessoas que desmaiam pela temperatura, são um pouco agressivas e isso é normal depois de todos estes dias de calor".

Apesar de seus apelos a uma "ação rápida" do governo federal, o presidente Biden e seu gabinete permanece em silêncio.

Em um comunicado, o Escritório de Alfândega e Proteção das Fronteiras dos Estados Unidos (CBP em inglês) afirmou em nota que aumentou sua equipe para enfrentar a situação de forma "segura, humana e ordenada".

A área sombreada debaixo da ponte serve como local de parada temporária "para prevenir doenças relacionadas ao calor", explicou, afirmando que distribuiu água potável, toalhas e banheiros portáteis.

Assim que são atendidos, "a grande maioria dos adultos que chegam sozinhos e muitas famílias vão continuar sendo expulsos sob o Título 42", uma norma de saúde adotada no início da pandemia para frear a propagação do vírus, segundo a nota.

"Quem não puder ser expulso sob o Título 42 e não tiver uma base legal para permanecer será colocado em processo de deportação acelerado", afirmou o CBP.

No entanto, um juiz federal ordenou na quinta-feira ao governo de Biden que não expulse as famílias neste contexto, o que poderia complicar a tarefa das autoridades, que enfrentam há meses os fluxos migratórios recordes na fronteira com o México. O governo Biden apelou da decisão nesta sexta-feira.

- "Desastre" -

Mais de 1,3 milhão de pessoas foram detidas na fronteira com o México desde que Biden chegou à Casa Branca, um nível inédito em 20 anos. Delas, cerca de 596 mil vinham de El Salvador, Guatemala e Honduras, e mais de 464 mil do México.

A oposição republicana acusa há meses Biden de ter provocado uma "crise migratória" ao flexibilizar as medidas de seu antecessor Donald Trump, que fez do combate à imigração ilegal um dos pilares de seu governo.

A situação em Del Rio, Texas, lhe deu novos argumentos. Após visitar a região, o senador republicano Ted Cruz denunciou "um desastre" causado por Biden.

Segundo Cruz, os migrantes acabam debaixo da ponte "porque o presidente Joe Biden tomou a decisão política de cancelar os voos de deportação para o Haiti", após o assassinato, em julho, do presidente haitiano Jovenel Moïse, que acentuou o caos na ilha caribenha.

O número de cidadãos do Haiti, país mais pobre das Américas, que chegam sem documentos aos Estados Unidos, aumenta há vários meses.

- "Alarmante" -

Quase 6.800 haitianos foram detidos em agosto na fronteira sul ou apenas 4% do total de migrantes detidos, porém mais do que em julho (5.000) ou maio (2.700).

Muitos haitianos deixaram seu país depois do terremoto de 2010 (que matou mais de 200.000 pessoas) e se estabeleceram na América Latina, especialmente em Brasil e Chile. Mas encontrar trabalho e renovar uma permissão de residência se tornou complicado para milhares que decidiram ir para o norte.

"Quero continuar minha viagem porque tenho uma irmã em Miami e outra na Holanda", disse Domingue Paul, um haitiano de 40 anos que morou cinco anos no Chile, em declarações à AFP em Tapachula, sul do México.

Sensíveis a suas dificuldades, várias vozes democratas se ergueram para pedir ao governo Biden que resolva rapidamente a situação em Del Rio.

"Estes migrantes haitianos já sofreram muito durante a perigosa viagem à nossa fronteira", tuitou a congressista Ilhan Omar, figura de destaque da ala à esquerda do partido.

"A falta de urgência para ir em sua ajuda é alarmante", denunciou a legisladora, que chegou aos Estados Unidos em 1995 como refugiada somaliana.

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