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Estado de Minas CABUL

Maior prisão dos talibãs no Afeganistão agora está vazia e abandonada


17/09/2021 11:08

Era um dos lugares mais temidos pelos talibãs, onde milhares deles ficaram presos por lutarem contra o governo afegão. Hoje, o centro penitenciário de Pul-e-Charkhi, ao leste de Cabul, é um local totalmente abandonado.

Os uniformes dos guardas estão pelo chão, abandonados em meio à debandada das antigas autoridades. Nas celas, vê-se roupas, sapatos e rádios, entre outros objetos. Os detentos muitas vezes fugiram com a roupa do corpo e o que conseguiram levar nas costas.

Cobertos de moscas, alimentos apodrecem aqui e ali. Há lixo no chão e nas escadas do presídio. Um odor fétido emerge do local, ao qual se mistura o cheiro das latrinas.

Os talibãs que controlam Pul-e-Charkhi afirmam que cada um dos 11 blocos da ala principal abrigava 1.500 reclusos, em uma prisão construída, originalmente, para receber cerca de 5.000.

Muitos fundamentalistas acabaram presos, rodeados por ladrões, criminosos, ou combatentes do grupo Estado Islâmico (EI).

O lema da bandeira do EI aparece pintado de preto na parede de uma cela. No vão de uma escada, as palavras "Estado Islâmico" estão gravadas em gesso.

O novo regime afegão garante que investigações estão sendo feitas para encontrar prisioneiros do EI. Os talibãs e o EI são rivais, e seus combatentes lutaram ferozmente no leste do país.

- "Horror" -

A construção do Pul-e-Charkhi, a maior prisão do Afeganistão, começou na década de 1970. Este centro penitenciário foi criticado por grupos de defesa dos direitos humanos pelas condições de vida subumanas impostas aos detentos.

Nos parcos dormitórios, aglomeravam-se entre 15 e 20 prisioneiros. Grandes lenços serviam como cortinas para garantir um mínimo de privacidade.

Algumas paredes são revestidas de papel com motivos tropicais e as três cores da antiga bandeira afegã - vermelho, verde e preto. Agora, a bandeira nacional é a talibã, branca e com uma inscrição em preto da profissão da fé muçulmana.

A sala de oração, onde dezenas de tapetes estão cuidadosamente dobrados, é, sem dúvida, o lugar mais organizado da prisão. Uma outra área do centro foi transformada em uma pequena madrassa (escola corânica).

Perto de uma das entradas, um escritório foi completamente incendiado. Tudo que restou foi a estrutura de aço do beliche de um agente penitenciário. A sala foi queimada para destruir documentos relacionados aos prisioneiros, explicam os talibãs presentes.

Uma parede está crivada de buracos de balas. Na véspera da retomada do poder por parte do Talibã em meados de agosto, ex-policiais do governo abriram fogo, matando vários de seus membros que estavam presos, relatam os islâmicos. A AFP não conseguiu verificar estas informações com fontes independentes.

Pul-e-Charkhi era um "lugar de horror", disse Mawlawi Abdulhaq Madani, um combatente talibã de 33 anos, feliz que seus colegas tenham podido deixar esta prisão.

Do lado de fora, cães e gatos perambulam pela estrada ao redor deste vasto complexo circular, delimitado por um muro de quatro metros de altura, coberto com arame farpado e torres de vigilância agora desnecessárias.


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