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Estado de Minas ADIS ABEBA

ONG denuncia que refugiados eritreus foram vítimas de crimes de guerra na Etiópia


16/09/2021 14:10

Refugiados eritreus foram vítimas de abusos, como execuções sumárias e estupros, que constituem "crimes de guerra" durante o conflito no norte da Etiópia, denunciou a organização Human Rights Watch (HRW) em um relatório publicado nesta quinta-feira (16).

A ONG acusa soldados eritreus e combatentes rebeldes da região etíope de Tigré de envolvimento nos crimes, cometidos em grande escala e que incluem também repatriação forçada e danos a dois campos de refugiados.

"Os horríveis assassinatos, estupros e saques de refugiados eritreus em Tigré são claramente crimes de guerra", disse Laetitia Bader, diretora de ONG para o Chifre da África.

"Por muitos anos, Tigré foi um paraíso para os refugiados eritreus que fugiam da perseguição", recordou. "Mas hoje, já não se sentem mais seguros".

O norte da Etiópia é palco de combates desde novembro, quando o primeiro-ministro Abiy Ahmed enviou o Exército ao Tigré para expulsar as autoridades regionais da Frente de Libertação do Povo Tigré (TPLF), que ele acusou de atacar acampamentos militares.

O regime da Eritreia, inimigo da TPLF, que governou a Etiópia durante a guerra de fronteira entre os dois países de 1998 a 2000, apoiou Addis Abeba militarmente enviando tropas para esta região.

Antes do início da guerra, havia 92 mil refugiados eritreus em Tigré, incluindo mais de 19 mil nos campos de Hitsats e Shimelba, de acordo com a Agência Etíope para Refugiados e Retornados (ARRA).

- Refugiados desaparecidos -

As forças da Eritreia e do Tigré entraram em confronto pela primeira vez perto de Hitsats cerca de duas semanas após o início da guerra.

HRW afirma ter recebido "informações credíveis" de que as tropas da Eritreia mataram 31 pessoas na cidade de Hitsats.

A AFP também verificou que, quando os combates chegaram ao campo de Hitsats, milicianos pró-TPLF atacaram refugiados em retaliação e mataram nove jovens eritreus em frente a uma igreja.

Quando os eritreus assumiram o controle do campo, 17 refugiados feridos foram levados para a Eritreia para suposto tratamento, de acordo com a HRW. Mas a maioria desses refugiados ainda está desaparecida, assim como 20 ou 30 outros que foram detidos, "incluindo membros do comitê de refugiados e supostos opositores, entre eles duas mulheres".

Depois de retomar o controle da área em dezembro, as forças de Tigré começaram a roubar, prender, estuprar e atacar os refugiados, causando dezenas de mortes, denunciou.

As forças da Eritreia voltaram no mês seguinte e forçaram os que permaneceram nos campos a partir. Imagens de satélite mostram que logo em seguida o acampamento foi parcialmente destruído, de acordo com a HRW.

Milhares de refugiados de Hitsats e Shimelba continuam desaparecidos.

Centenas deles não tiveram escolha senão retornar à Eritreia no que a HRW descreveu como "repatriação forçada".

Alguns foram para os acampamentos Mai Aini e Adi Harush, mais ao sul. Mas em julho caíram sob o controle da TPLF.

A ARRA acusou a TPLF de ter implantado artilharia pesada em Mai Aini e Adi Harush, saquear veículos e depósitos de ajuda e impedir a saída dos refugiados, o que equivale a "tomada de reféns". A TPLF nega.


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