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Estado de Minas BERLIM

Perguntas importantes sobre as eleições legislativas da Alemanha


16/09/2021 11:31

Depois de 16 anos como chefe de Governo da Alemanha, a chanceler Angela Merkel se prepara para deixar o cargo após as eleições de 26 de setembro, que marcarão o fim de seu quarto mandato.

O resultado da votação é incerto, mas não há dúvida de que será decisivo para o futuro do país. Os social-democratas do SPD lideram as pesquisas, seguidos pela União Democrata Cristã (CDU) e pelos Verdes.

- Por que Merkel não tenta o quinto mandato?

A chanceler de 67 anos, que governa a maior economia europeia desde 2005, anunciou há alguns anos que não pretendia disputar uma nova eleição.

Desde outubro de 2018, quando a CDU sofreu uma derrota eleitoral na região de Hesse, ela revelou que não buscaria o quinto mandato.

O atual será "o último", destacou Merkel, que tampouco deseja seguir uma carreira nas instituições europeias como chegou a especular parte da imprensa.

Esta é a primeira vez desde 1949 na Alemanha que a pessoa no cargo de chefe de Governo decide não disputar as eleições.

Eleita pela primeira vez em 22 novembro de 2005, Merkel se aproxima do recorde de longevidade no poder do também democrata-cristão Helmul Kohl, que foi chanceler por mais de 16 anos (5.689 dias), entre 1982 e 1998, e administrou a reunificação do país.

Além disso, ela superou Konrad Adenauer, chanceler do milagre econômico após a guerra e que governou a Alemanha Ocidental durante 14 anos.

- O que está em disputa para o país?

A adaptação do modelo econômico e industrial da Alemanha ocupa um espaço central nos debates, especialmente o futuro de sua forte indústria automobilística, muito afetada pelo declínio dos motores de combustão e pelas consequências para os 800.000 trabalhadores diretos do setor.

A digitalização da administração pública e das pequenas e médias empresas também aparece no programa de todos os candidatos, em um país "muito atrasado nesta questão", afirma Paul Maurice, do Comitê de Estudo Franco-Alemão do IFRI.

Com a população ainda impactada pelas inundações que deixaram mais de 180 mortos em julho passado, no oeste do país, a luta contra a mudança climática está entre as prioridades dos três candidatos.

De qualquer modo, "assistimos a uma campanha - pode ser por um efeito Merkel - que está muito centrada na pessoa, e não se fala de modo suficiente dos programas", aponta Maurice.

- Por que as eleições são acompanhadas com atenção na Europa?

Como principal potência econômica, a Alemanha ocupa um papel central na União Europeia.

Da crise financeira ao conflito ucraniano, passando pela questão migratória, a influência internacional da Alemanha cresceu nos "anos Merkel".

Um novo chefe de Governo pode dar um novo impulso, ou adotar uma gestão mais prudente, mas não com a ambição que caracterizou a chanceler, afirmam vários analistas.

A evolução do duo França-Alemanha, motor da UE, será acompanhada com atenção, sobretudo, porque a França também terá eleições em abril de 2022.

"Esperamos que a Alemanha seja uma força propositiva mais importante em nível europeu", disse Maurice.

- O que acontecerá após as eleições de 26 de setembro?

A chanceler não deixará o cargo na noite da eleição e vai permanecer como chefe de Governo até a designação do sucessor no Parlamento alemão, o Bundestag.

Este período de transição pode demorar várias semanas, ou meses, o tempo para que os partidos consigam estabelecer a maioria necessária para formar um governo de coalizão.

Em 2005, a CDU e o SPD levaram dois meses para formar o chamado governo de grande coalizão entre os dois partidos mais importantes da Alemanha.

Depois das eleições de setembro de 2017, as negociações prosseguiram até fevereiro de 2018. Em um primeiro momento, a CDU tentou a aliança com os Verdes e com o partido liberal FDP, mas, no fim, teve de estabelecer um acordo com o SPD.


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