O escritório do primeiro-ministro Abiy Ahmed afirmou que o Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF) "sofreu várias mortes", portanto se viu obrigada a abandonar Afar, dois meses depois que os rebeldes começaram a promover ataques nas regiões vizinhas, uma virada em dez meses de guerra.
"As afirmações por parte do TPLF de que se retirou da região de Afar - digo isso entre aspas -, não são verdade. Eles foram expulsos", afirmou a porta-voz de Abiy, Billene Seyum, em coletiva de imprensa.
"A milícia de Afar trabalhou em estreita colaboração com as forças de defesa federais e o TPLF sofreu muitas baixas nas últimas semanas", acrescentou.
O porta-voz do TPLF, Getachew Reda, negou essas afirmações em uma série de tuítes.
"#Abiy e companhia tentam fazer com que seus apoiadores acreditem que estão tendo vitórias nos campos de combate em #Amhara e #Afar: não é assim", afirmou, acrescentando que "milhares (de combatentes) estão sendo 'limpados' diariamente".
Não mencionou, entretanto, as operações em Afar, mas se referiu a combates em três cidades de Amhara.
"Não houve combates em #Afar e os que ocorreram na região de Amhara se desenvolvem de uma forma que garanta que #Abiy não poderá impor suas mentiras", acrescentou.
Os dirigentes do TPLF não puderam ser contatados para solicitar declarações, e os movimentos de tropas em Afar não podem ser constatados de forma independente, como costuma ocorrer neste conflito.
O norte da Etiópia foi abalado pela violência desde novembro passado, quando Abiy - prêmio Nobel da Paz 2019 - enviou tropas federais ao Tigré, afirmando que esta medida era uma resposta a ataques contra campos do exército por parte do TPLF, partido governante na região, outrora a nível nacional.
Esta troca de afirmações contraditórias ocorrem um dia depois que funcionários e médicos da região de Amhara acusaram o TPLF de ter massacrado 125 civis na cidade de Chenna, nessa região do país.
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ADIS ABEBA
Governo etíope afirma ter expulsado os rebeldes do Tigré de Afar, região vizinha
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