Jornal Estado de Minas

BOGOTÁ

Colômbia denuncia que militares venezuelanos violaram sua fronteira

Dois "militares venezuelanos armados" retiveram uma embarcação mercante na margem colombiana do fronteiriço Rio Negro (sudeste), em uma "violação flagrante" dos tratados fronteiriços, denunciou a chancelaria colombiana em um comunicado neste domingo (29).



O incidente ocorreu em 24 de agosto, quando militares venezuelanos "ocuparam de forma arbitrária uma embarcação colombiana civil em nome de 'El Guainiano' (...), que estava atracada à margem colombiana do Rio Negro", que separa o departamento colombiano de Guainía do Amazonas venezuelano, detalhou o texto.

"A intervenção oportuna da Marinha Nacional evitou que se cometessem atropelos contra os cidadãos nacionais e a perda da embarcação e das mercadorias, como já ocorreu no passado em eventos similares", acrescentou a chancelaria colombiana.

Os dois países dividem uma fronteira porosa de 2.200 km e não têm relações desde 2019, depois que Bogotá declarou apoio a Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela após considerar fraudulenta a reeleição de Nicolás Maduro um ano antes.

Segundo um boletim da Marinha da Colômbia, "depois de alguns minutos, o pessoal da Guarda Venezuelana retornou ao seu país".

A chancelaria colombiana alertou sobre a "reiteração deste tipo de atos violatórios (....) de tratados bilaterais vigentes".



A Venezuela, por sua vez, rejeitou o informe colombiano, tachando-o de "inconsistente", em uma declaração de sua chancelaria.

A nota acusa Bogotá de querer "incrementar tensões entre os países, gerando falsos conflitos em interações que podem ser resolvidas em coordenação com as autoridades locais".

A chancelaria venezuelana instou o governo colombiano a "manter contatos formais que permitam a comunicação permanente de todos os assuntos fronteiriços de forma prática e sem estridências".

"Pelas complexidades na fronteira comum, este tipo de tema exige coordenação diplomática. No entanto, a indisposição do governo da Colômbia em estabelecer canais de comunicação dificulta trabalhar de forma mais eficiente a favor da legalidade na fronteira", reforçou o comunicado.

audima