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Estado de Minas WASHINGTON

Biden quer acelerar expansão do carro elétrico nos EUA


05/08/2021 20:17 - atualizado 05/08/2021 20:19

Diante dos olhares dos fabricantes de carros de Detroit, o presidente Joe Biden anunciou nesta quinta-feira (5) o objetivo de que metade dos veículos vendidos nos Estados Unidos até 2030 gere zero emissões de gases contaminantes.

Biden apresentou a medida como forma de competir com a China e outros países que investem em carros elétricos ao mesmo tempo em que busca transformar o setor dos transportes dos Estados Unidos, sua maior fonte de emissões.

Dos jardins da Casa Branca, disse que os carros elétricos estacionados ali são "uma visão do futuro que agora está começando a acontecer, um futuro da indústria automotiva que é elétrico, elétrico de bateria, elétrico híbrido plug-in, elétrico a pilha de combustível".

"É elétrico e não tem volta. A questão é se vamos liderar ou ficar para trás", disse.

O anúncio gerou elogios modestos dos ambientalistas, que pedem medidas adicionais devido à piora da situação climática.

Katherine García, do Sierra Club, qualificou o objetivo de Biden como um "sinal significativo para os fabricantes", mas disse que deveria chegar a 60% e complementar-se com os padrões "mais estritos possíveis".

A expectativa é que um aumento significativo do uso de carros elétricos, que foram apenas 2% dos veículos vendidos em 2020, seja acompanhada de uma expansão dos postos de recarga e do convencimento dos americanos para comprar estes carros.

Os "Três Grandes" fabricantes americanos - General Motors, Ford e Stellantis - aumentaram significativamente seus investimentos em carros elétricos, o que torna "mais provavelmente acessível" a meta de 2030, disse Jessica Caldwell, do site especializado Edmundus.com.

"Mas, possivelmente, o maior obstáculo seja a aceitação dos consumidores: estarão dispostos a mudar seus hábitos para migrar para os carros elétricos?", questionou-se Caldwell.

- Infraestrutura em discussão -

Os "Três Grandes" expressaram sua "ambição comum" de que, até 2030, entre 40% e 50% dos veículos vendidos nos Estados Unidos sejam deste tipo.

Em um comunicado conjunto, os "Três Grandes" expressaram também que a mudança "só pode ser alcançada" com incentivos para comprá-los e nova infraestrutura, como uma rede de recarga.

Embora Biden tenha proposto um plano de infraestrutura incluindo muitos destes programas, nem todos foram incluídos no projeto de lei bipartidário preparado no Senado e que, considera-se, tem as melhores chances de ser aprovado no Congresso.

O poderoso sindicato automobilístico UAW apoiou a iniciativa.

"Os membros do UAW estão preparados para fabricar estes carros, estes caminhões elétricos e as baterias que usam. Nossos membros são a arma secreta dos Estados Unidos para vencer essa corrida mundial", escreveu o presidente do UAW, Ray Curry, citado em um comunicado da Casa Branca.

O milionário Elon Musk ficou de fora da cerimônia na Casa Branca apesar da popularidade de seus carros elétricos Tesla.

Musk tem sido criticado por práticas consideradas antissindicais e a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, disse que as empresas convidadas à Casa Branca "são os três principais atores-chave" do setor.

"Sim, parece estranho que a Tesla não tenha sido convidada", tuitou Musk.

- Elogio comedido -

Embora a meta de 50% não seja muito mais ambiciosa do que muitos fabricantes já estabelecem para si, é muito alta para os Estados Unidos.

Fred Krupp, presidente do Fundo de Defesa Ambiental, elogiou o anúncio por posicionar os Estados Unidos para competir no mercado emergente do transporte.

"Países de todo o mundo correm para eliminar a poluição de seus carros e caminhões", disse Krupp. Os Estados Unidos "podem vencer esta corrida e nosso prêmio serão bons empregos, economias nos postos de gasolina para as famílias, ar mais limpo e um clima mais seguro".

No entanto, Simon Mui, do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, disse ser necessário aplicar imediatamente ações mais agressivas "devido a como as mudanças climáticas tornaram o clima mais agressivo".

Apesar de o país ser o berço da Tesla, sem dúvida o maior fabricante de carros elétricos do mundo, fabricantes e motoristas americanos demoram mais para deixar os carros movidos a combustível fóssil do que chineses e europeus.

De acordo com a Agência Internacional de Energia, em 2020, os veículos elétricos representavam apenas 2% das vendas de carros novos nos Estados Unidos, em comparação com 10% na Europa.

Biden também pretende endurecer as regulamentações sobre o consumo de combustível.

Durante sua gestão, o então presidente Donald Trump reduziu de forma considerável as exigências neste campo impostas por seu antecessor, o democrata Barack Obama, de quem Biden foi vice.

Aprovada em março de 2020, a atual normativa sobre emissões obriga os fabricantes a melhorarem a eficiência de seus modelos em 1,5% ao ano, contra os 5% instituídos por Obama. O governo de Biden ainda não revelou qual será este novo percentual.

GENERAL MOTORS

VOLKSWAGEN

TESLA MOTORS

FORD MOTOR

VOLVO AB

Stellantis

BAYERISCHE MOTOREN WERKE AG


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