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Estado de Minas WASHINGTON

Fed celebra melhora econômica, atento à evolução dos preços


28/07/2021 19:32 - atualizado 28/07/2021 19:39

A inflação poderia ser mais alta e persistente do que o esperado, enquanto a economia americana se recupera do impacto da pandemia do coronavírus, afirmou nesta quarta-feira (28) o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Jerome Powell.

Powell destacou que a inflação está bem acima da meta do Fed, de 2% ao ano, devido principalmente a fatores sazonais, incluindo gargalos no abastecimento de produtos.

Mas, "enquanto a reabertura continua, outras restrições poderiam continuar limitando quão rápido a oferta se ajusta, e isto aumenta a possibilidade de que a inflação seja mais alta e mais persistente do que esperávamos", disse Powell durante coletiva de imprensa ao final da reunião de dois dias do comitê de política monetária do Fed.

Powell reiterou confiar em que apesar de que a inflação possa permanecer alta por alguns meses, o aumento de preços vá parar, e repetiu que o banco central está pronto para agir se necessário.

"Se as expectativas de inflação aumentarem, usaremos nossas ferramentas para conduzir a inflação de novo a 2%", afirmou.

O aumento dos preços nos Estados Unidos é o maior em 13 anos, +3,9% em um ano até maio para o índice PCE, acompanhado pelo Fed - e cujos dados de junho serão publicados na quinta-feira - e +5,4% em junho para o índice CPI.

O Fed prevê uma inflação de 3,4% em 2021 e uma queda para perto de sua meta de 2%, a 2,1% em 2022, e a 2,2% em 2023, segundo suas previsões de junho, que serão atualizadas em setembro.

- Estímulo mantido -

O Fed manteve suas taxas de juros ultrabaixas e o mesmo nível mensal de compra de ativos, ao estimar que os setores afetados pela pandemia demonstram "melhoras", mas não estão completamente recuperados.

Em um comunicado publicado após a reunião de dois dias de seu comitê monetário, o banco central americano manteve - como o mercado esperava - suas taxas de referência entre 0 e 0,25% e o nível de compra de ativos em 120 bilhões de dólares mensais.

O Fed tampouco deu indícios de um endurecimento de sua política monetária, pois "continuará avaliando" os avanços da economia antes de reduzir seus estímulos.

"Graças ao avanço da vacinação e ao forte apoio político, os indicadores da atividade econômica e do emprego continuam fortalecendo-se", destacou o Fed.

"Os setores mais atingidos pela pandemia mostraram melhoras, mas não se recuperaram completamente" e "persistem riscos sobre as perspectivas econômicas".

A variante Delta do coronavírus, que faz subir o registro de casos novamente em várias regiões do mundo, ameaça a recuperação americana.

O Fed não deu indícios sobre datas de uma redução de seu apoio monetário.

Alguns analistas esperam um anúncio no fim de agosto, na conferência de bancos centrais do mundo em Jackson Hole (Wyoming), ou no final de setembro, na próxima reunião do Fed.

Os encarregados do Fed se mostraram favoráveis a um primeiro aumento de taxas em 2023.

- Sucessão de Jerome Powell -

Nos grandes mercados há uma notória impaciência para saber como o Fed planeja evitar que os preços continuem subindo.

A instituição monetária não quer aumentar as taxas de referência cedo demais, temendo que isso freie a recuperação econômica e do mercado de trabalho.

Essa política vai na mesma direção da recomendação feita na terça-feira pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) aos bancos centrais.

"Nossa recomendação é continuar com a abordagem de política monetária baseada em dados econômicos", disse Petya Koeva Brooks, diretora adjunta do FMI, durante coletiva de imprensa.

A sucessão de Powell não foi abordada. Seu mandato de quatro anos termina no fim de janeiro e poderia ser renovado ou substituído, uma decisão que corresponde à Casa Branca, que até agora manteve silêncio sobre o tema.


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