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Estado de Minas PARIS

Comunidade internacional analisa relatório sobre o clima após série de catástrofes


26/07/2021 09:22

Nesta segunda-feira (26), 195 países começaram a examinar as novas previsões dos especialistas sobre o clima da ONU, um relatório de referência "crucial para o sucesso" da conferência sobre o tema, a COP26, em novembro.

Sete anos depois do último relatório dos cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), a atual avaliação será divulgada após as chuvas devastadoras na China e na Alemanha, além das temperaturas sufocantes no Canadá.

"As últimas seis semanas nos apresentaram uma série de acontecimentos devastadores, calor, inundações, incêndios, secas e mais (...) Há vários anos alertamos que era possível, que tudo isto aconteceria", afirmou a secretária executiva da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, Patricia Espinosa.

Para Petteri Taalas, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), "o relatório que vão concluir será muito importante no mundo inteiro (...) Este informe de avaliação é crucial para o êxito da conferência sobre o clima de Glasgow (Escócia), em novembro".

A menos de 100 dias da COP26, Espinosa alertou que não estamos "no caminho certo para respeitar a meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a +1,5ºC até o final do século".

"Na verdade, estamos no caminho oposto, caminhamos para mais de +3ºC. Temos que mudar de rumo com urgência, antes que seja tarde demais", insistiu.

- Interesse passageiro? -

Apesar das imagens chocantes dos desastres naturais, alguns temem que esse interesse pelo clima seja apenas passageiro e que a cúpula de novembro não termine em acordos significativos.

"Neste momento, todos estão falando sobre uma emergência climática e com bons motivos. Mas, quando essas tragédias acabarem, provavelmente iremos esquecer novamente e continuar como antes", lamentou a ativista Greta Thunberg, que mobilizou milhões de jovens nos últimos anos por uma redução drástica nas emissões de gases de efeito estufa por parte dos governos.

O relatório do IPCC, que deve ser publicado em 9 de agosto e cujas conclusões para os líderes políticos serão cuidadosamente negociadas ao longo de duas semanas, deve atualizar sua avaliação e suas previsões climáticas sobre o aumento das temperaturas, níveis do oceano, intensificação de eventos extremos, entre outros tópicos.

Além disso, outras duas partes serão publicadas no início de 2022, incluindo uma que mostra como a Terra mudará em 30 anos, ou mesmo antes, e da qual a AFP obteve uma versão preliminar.

Mas esta ferramenta será lançada após a COP26.

Com a assinatura do Acordo de Paris em 2015, quase todos os países do planeta se comprometeram a reduzir suas emissões de CO2 para limitar o aquecimento global "bem abaixo" de +2ºC em comparação com a era pré-industrial e, se possível, +1,5°C.

Essa meta de +1,5ºC se tornou uma prioridade para muitos ativistas e autoridades políticas, especialmente quando o planeta ganhou aproximadamente 1,1°C desde a Revolução Industrial. Cada décimo adicional conta, porque traz fenômenos extremos.

Mas isso pode ser alcançado? Essa é uma das perguntas que o relatório do IPCC terá de responder, com base em milhares de estudos científicos.

Alguns duvidam de que seja possível. Outros, na tentativa de evitar o desânimo, dizem que não é impossível.

"Limitar o aquecimento a +1,5ºC ainda é física, técnica e economicamente possível. Mas não por muito tempo, se continuarmos a agir pouco e tarde", estima Kaisa Kosonen, da ONG Greenpeace.

"O IPCC nos disse qual deve ser a ambição: que cada país do mundo se comprometa com a neutralidade de carbono e detalhe o plano para alcançá-la", insistiu nesta segunda-feira a vice-diretora executiva de Meio Ambiente das Nações Unidas, Joyce Msuya.

Para atingir essa meta, as emissões devem ser reduzidas em 7,6%, em média, a cada ano entre 2020 e 2030, segundo a ONU. Em 2020, este registro caiu, devido à pandemia, mas a expectativa é que volte a aumentar.

Diante das poucas medidas planejadas para impulsionar a energia limpa, a Agência Internacional de Energia (AIE) prevê, inclusive, emissões recordes para 2023.

"Mas, se não conseguirmos, alcançar 1,6ºC é melhor que 1,7ºC, e 1,7 ºC é melhor que 1,8ºC", diz o climatologista Robert Vautard, um dos autores do IPCC.


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