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Estado de Minas RIO DE JANEIRO

Brasileiros voltam às ruas para pedir impeachment de Bolsonaro


24/07/2021 21:13 - atualizado 24/07/2021 21:14

Dezenas de milhares de brasileiros voltaram às ruas de várias cidades do país neste sábado (24) para pedir o impeachment do presidente Jair Bolsonaro, cada vez mais desgastado sobretudo por sua caótica gestão da pandemia, apuraram jornalistas da AFP.

É o quarto dia de manifestações convocadas por partidos de esquerda, sindicatos e movimentos sociais contra o presidente, que também está sendo investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por não ter denunciado suspeitas de irregularidades na negociação de vacinas contra a covid-19 Covaxin.

Enquanto isso, Bolsonaro passeou de moto com vários ministros por várias localidades da capital, cumprimentando simpatizantes.

À tarde, milhares de manifestantes, usando máscaras, se concentraram na Avenida Paulista, no centro de São Paulo, e marcharam pacificamente exibindo cartazes com dizeres como "Impeachment já" e "Fora Bolsonaro".

Eles também repetiram palavras de ordem contra a corrupção, a tardia campanha de vacinação, a disparada do desemprego e fizeram pedidos para aumentar a ajuda emergencial aos mais pobres em tempos de pandemia, que já matou mais de 550 mil pessoas no Brasil.

"Considero este governo genocida porque é responsável pela não aquisição de vacinas. Muitas pessoas morreram por falta de vacinas", disse à AFP o professor universitário Adalberto Pessoa, de 60 anos.

Ao cair da noite, imagens transmitidas pela TV mostraram um grupo de vândalos atacando uma agência bancária antes de ser disperso pela polícia com bombas e gás lacrimogênio.

- "Pela democracia" -

Um dos atos que começou mais cedo entre os mais de 400 celebrados em municípios no Brasil e cidades do exterior, segundo os organizadores, levou milhares de pessoas ao centro do Rio de Janeiro, onde participaram do "dia de unir o país em defesa da democracia, da vida dos brasileiros e do fora Bolsonaro", segundo a convocação do ato.

Os manifestantes, a maioria deles vestidos de vermelho e usando máscara para evitar a propagação do coronavírus, carregavam cartazes com dizeres como "Fora criminoso corrupto", "Ninguém aguenta mais", "Fora Bolsonaro" e "As revoluções são impossíveis até que se tornam inevitáveis".

"É muito importante que todos aqueles e todas aquelas que se sentem ofendidos ou oprimidos por esse governo, venham para as ruas, porque nós precisamos lutar pela volta da democracia", disse à AFP a assistente social Laíse de Oliveira, de 65 anos.

Até o começo da noite, a imprensa brasileira reportou, com imagens de avenidas lotadas de manifestantes, inclusive aéreas, protestos contra Bolsonaro nos 26 estados do país e no Distrito Federal, sem que tenham sido registrados episódios de violência.

- Popularidade em baixa -

Muitos dos manifestantes em todo o país levavam a bandeira do Brasil, na tentativa de resgatar o símbolo nacional, normalmente usado por apoiadores de Bolsonaro.

Nem os organizadores, nem as autoridades divulgaram uma estimativa global da quantidade de participantes dos atos.

Bolsonaro, também criticado por seu discurso a favor da exploração de áreas protegidas da Amazônia, entre elas as reservas indígenas, suas políticas sobre armas e seu ambicioso programa de privatizações, vive seu pior momento desde que chegou ao poder em 2019.

Sua popularidade está no nível mais baixo, 24%, e as pesquisas indicam que nas eleições do próximo ano ele seria derrotado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujo partido, o PT, foi um dos grandes promotores dos protestos deste sábado.

A oposição apresentou em junho um "superpedido de impeachment", que condensa uma centena de pedidos já apresentados anteriormente à Câmara dos Deputados com mais de 20 denúncias diferentes contra o presidente.

Mas, por enquanto, Bolsonaro tem apoio suficiente no Congresso para bloquear essas iniciativas, inclusive o apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), a quem cabe dar seguimento a estes pedidos.


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