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Estado de Minas TEERÃ

'Não entrem no jogo inimigo', pede Khamenei sobre protestos por crise hídrica


23/07/2021 18:00 - atualizado 23/07/2021 18:02

O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, pediu nesta sexta-feira (23) aos manifestantes em protesto contra a escassez de água que não entrem no jogo dos "inimigos" do país.

"As pessoas expressaram sua insatisfação, e ninguém pode culpá-las", afirmou o aiatolá, reconhecendo que "o problema da água não é banal, especialmente com o clima quente do Cuzistão", província do sudoeste.

"Mas o inimigo tenta usar tudo isso contra a Revolução, o país e os interesses do povo. Por isso, é preciso ter cuidado para não lhe dar um pretexto", acrescentou, dirigindo-se aos habitantes dessa província, conforme comunicado publicado em sua página on-line.

O Cuzistão, onde estão localizados os principais campos de petróleo do país, é afetado desde o final de março por uma seca que gerou manifestações em várias cidades.

Nos últimos dias, os veículos de comunicação que emitem em persa do exterior informaram que protestos foram reprimidos pelas forças de ordem. Em um primeiro momento, a imprensa local se manteve em silêncio sobre o assunto.

De acordo com o Iribnews, site da televisão estatal, uma pessoa morreu, e outras duas foram baleadas na quinta-feira (22), durante "distúrbios" na província vizinha de Lorestão (oeste), em meio aos protestos pelos "problemas de água no Cuzistão".

É a primeira vez que os meios de comunicação locais falam de manifestações ou vítimas fora do Cuzistão desde o início das tensões na província.

De acordo com a mídia e autoridades iranianas, pelo menos três pessoas foram mortas no Cuzistão, incluindo um policial e um manifestante, como resultado de "oportunistas" e "rebeldes" que atiraram contra manifestantes e forças de segurança. A mídia iraniana não especificou quem eram as outras duas vítimas.

Na quinta-feira, o presidente iraniano, Hassan Rohani, declarou que os habitantes do Cuzistão têm "o direito" de "se expressar" e "até mesmo de sair às ruas".

A população da província, que tem uma significativa minoria árabe, reclama rotineiramente que as autoridades a negligencia.

"O governo deve se concentrar no impacto da terrível crise da escassez crônica de água (...) e nas manifestações de pessoas que estão desesperadas após anos de abandono", criticou a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet.

"Atirar em cidadãos e prendê-los só aumentará a raiva e o desespero", acrescentou a ex-presidente chilena.

O arquiinimigo de Teerã, Washington, argumentou que os iranianos deveriam ser capazes de se manifestar "sem medo de violência ou prisões arbitrárias".

"Todos esses anos em que o governo abandonou e negligenciou os recursos hídricos acentuaram a pior seca que o Irã já enfrentou em pelo menos 50 anos", disse à imprensa Jalina Porter, porta-voz do Departamento de Estado.


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