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Estado de Minas WASHINGTON

EUA repatria prisioneiro de Guantánamo para Marrocos


19/07/2021 13:13

O governo dos Estados Unidos repatriou um marroquino preso na instalação militar de Guantánamo, a primeira transferência feita na gestão de Joe Biden - informou o Pentágono nesta segunda-feira (19).

"O Departamento da Defesa anunciou hoje a transferência de Abdul Latif Nasir do centro de detenção na Baía de Guantánamo para o Reino do Marrocos", declarou o Pentágono em um comunicado, acrescentando que 39 presos permanecem neste polêmico centro de detenção caribenho.

Nasir sequer chegou a ser formalmente acusado. Em 2016, ainda na gestão do democrata Barack Obama, recomendou-se que ele fosse libertado, mas o presidente seguinte, o republicano Donald Trump, preferiu mantê-lo detido.

A poderosa associação americana de direitos civis ACLU recebeu a notícia com satisfação e chamou os anos de prisão de Nasir de uma "paródia".

Os Estados Unidos precisam "urgentemente" fazer o mesmo com outros prisioneiros cuja libertação está autorizada, disse Hina Shamsi, diretora do projeto de segurança nacional da ACLU, em um comunicado.

Obama (2009-2017) fracassou em sua tentativa de fechar a prisão de Guantánamo, que se tornou um símbolo dos excessos da "guerra contra o terrorismo" iniciada após os atentados de 11 de setembro de 2001 contra Nova York e Washington.

O Partido Republicano bloqueou os planos de Obama de fechar a prisão, ao restringir a capacidade de transferir os prisioneiros da base militar americana na Baía de Guantánamo para o território continental dos Estados Unidos.

Trump, que governou até janeiro de 2021, avaliou a possibilidade de enviar mais detidos a Guantánamo, um plano que não chegou a executar.

- "Redução responsável" -

Já o governo atual, do democrata Joe Biden, lançou um estudo em fevereiro sobre como fechar a prisão, mas sem fazer promessas públicas, após o fracasso de Obama nesse sentido.

Um alto funcionário disse, nesta segunda-feira, que Biden "está dedicado" a transferir os prisioneiros e, em última instância, fechar as instalações.

Dos 39 detidos restantes, "10 são elegíveis para transferência, 17 são elegíveis para conselhos de revisão periódica, 10 estão envolvidos no processo de comissão militar e dois detidos foram condenados", disse outro alto funcionário de Biden.

O governo Biden "está dedicado a seguir um processo deliberado e minucioso concentrado na redução responsável da população de detentos no centro de Guantánamo, protegendo, ao mesmo tempo, a segurança dos Estados Unidos e de seus aliados", afirma o Departamento de Estado em um comunicado divulgado nesta segunda-feira.

Washington também elogiou o papel do Marrocos na transferência de Nasir.

A "liderança do reino para facilitar a repatriação de Nasir, junto com sua vontade antiga de devolver seus combatentes terroristas estrangeiros do nordeste da Síria, deveria incentivar outras nações a repatriar seus cidadãos que viajaram para lutar por organizações terroristas no exterior", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.

Os Estados Unidos abriram Guantánamo em 2002 para alojar suspeitos capturados em todo o mundo, sob o entendimento de que não teriam o direito constitucional ao devido processo garantido em solo americano.

O local teve várias denúncias de prisões ilegais, negação de direitos e torturas.


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