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Estado de Minas DEMOCRACIA EM RISCO

General temia golpe de Trump


16/07/2021 04:00 - atualizado 15/07/2021 22:30

Washington – O chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, Mark Milley, temia no final do ano passado que o então presidente Donald Trump abolisse a Constituição para manter o poder. Em um novo livro, ele compara o momento à tomada do Reichstag por Adolf Hitler, em 1933. Milley viu a recusa de Trump em aceitar a derrota para Joe Biden nas eleições de novembro de 2020 como um sinal de sua intenção de manter o poder de qualquer forma, de acordo com trechos do livro dos jornalistas Carol Leonnig e Philip Rucker do The Washington Post, divulgados ontem pelo jornal e pela CNN.

"Este é um momento como o Reichstag (…). O evangelho do führer", disse Milley a seus assessores do Pentágono, de acordo com os autores do livro, intitulado "I alone can fix it". Em 1933, Hitler aproveitou um incêndio suspeito no Reichstag, o Parlamento alemão, para suspender as liberdades civis e concentrar a autoridade em seu governo, preparando o cenário para a consolidação nazista.

Quando Trump convocou seus partidários para marchar em Washington em novembro, Milley, nomeado pelo presidente, expressou preocupação de que ele estivesse implantando "camisas marrons nas ruas", indica o livro, aludindo à violenta milícia de Hitler.

Trump persistiu em afirmar, sem provas, que uma fraude roubou um segundo mandato dele, convocando outra manifestação em 6 de janeiro, quando seus apoiadores atacaram o Congresso. Milley então planejou uma renúncia coletiva com outros altos funcionários para deixar claro que eles não aceitariam um golpe de Trump. 

O livro, que deve ser lançado na próxima semana, é a visão mais perturbadora de como a recusa de Trump em aceitar a derrota foi percebida dentro do governo. Milley já havia resistido ao desejo de Trump de convocar os militares para enfrentar os protestos antirracismo no início do ano. Isso o levou a desconfiar das motivações de Trump, especialmente após a eleição, quando o presidente começou a substituir altos funcionários, inclusive no Pentágono, por partidários próximos, embora ele tivesse apenas algumas semanas no cargo. "Milley disse à sua equipe que acreditava que Trump estava provocando um motim, possivelmente esperando por uma desculpa para invocar a Lei de Insurreição e chamar os militares", diz o livro.

Em um comunicado, Trump repetiu suas afirmações infundadas sobre fraude eleitoral, mas negou ter planejado um golpe. Ele classificou Milley como alguém que busca favores da "esquerda radical". "Se eu fosse dar um golpe, uma das últimas pessoas com quem gostaria de fazer isso seria o general Mark Milley", disse Trump.



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