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Estado de Minas HAVANA

Falta de internet irrita cubanos


14/07/2021 20:29

Frustrado, Alejandro, um cubano de 29 anos, frequentemente olha para seu telefone enquanto está sentado em uma esquina em Havana Velha, tentando verificar se tem internet.

Depois de dias sem serviço, bloqueados durante protestos antigovernamentais, os cidadãos estão apenas começando a sair da escuridão digital.

O serviço de internet móvel através de 3G e 4G começou a se restabelecer na instável manhã desta quarta-feira(14) em Havana, mas as pessoas nas ruas continuaram sem acesso ao WhatsApp, Facebook e Twitter.

Apesar da forte presença policial, as ruas da movimentada Havana Velha recuperam a vitalidade. Mas a internet móvel permaneceu quase morta.

A falta de acesso "é pior para o povo", diz Alejandro Cordovi, trabalhador autônomo, que descarta que as redes sejam apenas "uma questão de política (...) muitas pessoas as têm para conversar com suas famílias", afirma.

De manhã, "consegui me conectar a todas as páginas", diz Lenna Estévez, uma dona de casa de 26 anos, caminhando apressadamente no meio da rua com fones de ouvido.

- "Terrorismo mediático" -

"Eu vi os vídeos das coisas que aconteceram (protestos) de tudo, de tudo", diz ela enfaticamente. Mais tarde, porém, não conseguiu se comunicar com sua mãe. "Não tenho mais conexão", exclama ela preocupada, lembrando que no dia dos protestos pôde ter notícias dela até depois da meia-noite.

Depois das duras sanções impostas por Donald Trump, que incluíram o cancelamento do serviço postal, a internet é o meio mais barato para os cubanos da ilha se comunicarem com os mais de dois milhões de compatriotas que vivem nos Estados Unidos.

O bloqueio ocorreu depois que milhares de pessoas saíram espontaneamente em cerca de 40 cidades cubanas para protestar contra a escassez de alimentos, remédios e eletricidade que assola a ilha.

As passeatas, nas quais a internet foi a grande aliada, foram replicadas no domingo e na segunda-feira e terminaram com um morto e mais de 100 detidos.

As redes sociais criaram um "terrorismo midiático", disse o presidente Miguel Díaz-Canel nesta quarta-feira.

"Eles são totalmente agressivos, pedindo o assassinato, pedindo o linchamento, o ataque às pessoas e em particular às pessoas identificadas como revolucionárias", disse o presidente, que negou que houvesse repressão.

Muitos manifestantes são "chamados pelo ódio instigado por todas essas estratégias de subversão".

"É verdade que faltam dados [móveis], mas faltam medicamentos também", justificou o chanceler Bruno Rodríguez na terça-feira, destacando que seu país tem o direito de se defender.

Rodríguez acusou os Estados Unidos de realizar uma campanha no Twitter, por meio da hashtag #SOSCuba, para incitar a agitação social na ilha.

Washington pediu na terça-feira a rápida restauração de "todas as mídias, digitais e não digitais".

"Fechar o acesso à tecnologia ... nada responde às necessidades e aspirações legítimas do povo cubano", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.

- "Há apenas uma rede aqui" -

As pessoas esperavam para falar em um telefone público, enquanto seguravam um telefone celular.

Do lado de fora de um escritório da Etecsa, a empresa que detém o monopólio das telecomunicações de Cuba, as pessoas digitavam em seus telefones na esperança de captar o sinal wi-fi, como muitos cubanos acessavam a internet até 2018, quando a rede 3G chegou à ilha.

Durante décadas, Cuba foi um dos países menos conectados do mundo e apenas uma minoria tinha internet em casa. O restante precisava se conectar em lan houses ou parques de Wi-Fi, por hora.

O sucesso foi tamanho que dos 11,2 milhões de habitantes da ilha, 4,4 milhões navegavam em seus telefones no final de 2020.

Alejandro não acredita que o corte da internet se deva a uma falha técnica ou falta de capacidade da empresa estatal de telecomunicações.

"Há apenas uma rede aqui", diz ele, cansado. "Se não tem internet, são eles que tiram, não vem de outro lugar", reclama.

Ana Mirta, de 56 anos, foi com uma amiga à empresa perguntar. A funcionária da operadora de telefonia respondeu simplesmente que "ela não poderia dar outra explicação, foi o que aconteceu, a internet foi suspensa".


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