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Estado de Minas WASHINGTON

Presidente do Fed garante que manterá estímulos apesar da alta da inflação nos EUA


14/07/2021 19:59 - atualizado 14/07/2021 20:05

A inflação nos Estados Unidos alcançou a taxa mais alta em mais de uma década, mas o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) continuará com a política de estímulos até que a economia se recupere plenamente da recessão, afirmou nesta quarta-feira (14) o presidente do Fed, Jerome Powell.

Powell reconheceu que a inflação permanecerá "alta" nos próximos meses, mas disse que diminuirá assim que os "gargalos" de fornecimento de material e outros problemas temporários forem resolvidos.

A maior economia do mundo ainda tem "um longo caminho pela frente" para retornar à situação de pleno emprego -um dos objetivos do Fed- após a pandemia da covid-19, disse Powell no início de sua audiência semestral na Câmara dos Representantes.

O Fed "vai se assegurar de que a política monetária continue dando um potente apoio à economia até que a recuperação esteja completa", continuou.

Powell também garantiu que o Fed possui as ferramentas necessárias para lidar com a inflação e reagirá rapidamente, se necessário.

A inflação nos Estados Unidos disparou nos últimos meses, com um IPC que chegou a 5,4% ano a ano em junho. É o percentual mais alto desde agosto de 2008.

Os preços de atacado também subiram, com o índice de preços ao produtor em 7,3% nos 12 meses finalizados em junho, o mais alto desde que o Departamento do Trabalho começou a medi-lo em novembro de 2010, segundo dados publicados nesta quarta-feira.

Powell e outros funcionários do Fed se apegam, no entanto, ao argumento de que essa taxa foi impulsionada, sobretudo, por questões temporárias. Por isso, não há razão para retirar os estímulos do organismo.

"É claro que ainda não fizemos" o progresso esperado na redução do apoio à economia, afirmou na segunda-feira o presidente do Fed de Nova York, John Williams.

Muitos economistas no setor privado estão de acordo e dizem que a inflação alcançou seu ponto máximo em junho.

Powell, que se apresentou nesta quarta-feira na Câmara dos Representantes, deve comparecer na quinta no Comitê Bancário do Senado.

- Inflação moderada -

"A inflação subiu de forma considerável e, provavelmente, continuará sendo alta nos próximos meses antes de desacelerar", disse Powell.

Ele citou o impacto dos problemas de abastecimento, incluindo uma escassez global de semicondutores que prejudicou a produção de automóveis, e disse que esses fatores "devem ser parcialmente revertidos conforme os efeitos de gargalo se dissipem".

O Fed cortou a taxa básica de juros para zero logo no início da pandemia em 2020 e implementou um programa massivo de compra de títulos para fornecer liquidez à economia durante a crise.

O banco central americano se comprometeu a manter o estímulo até que a inflação se mantenha acima da meta de 2% e o mercado de trabalho tenha se recuperado.

A inflação durante anos ficou abaixo do nível dessa meta, então o Fed mudou seu foco para "apontar para uma inflação moderadamente acima de 2% por algum tempo, para que a média da inflação seja de 2% ao longo do tempo", disse Powell.

Embora se espere que a economia dos EUA continue criando empregos, Powell disse que "atingir o padrão de 'progresso substancial adicional' ainda está muito longe".

Ele observou que os trabalhadores com baixa renda, os negros e os hispânicos foram os mais afetados pelo desemprego devido à pandemia e "eles ainda têm muito terreno para recuperar".

Os funcionários do Fed começaram a discutir quando começarão a reduzir os 120 bilhões de dólares mensais em compras de ativos. Powell voltou a prometer que avisará sobre qualquer mudança com antecedência.

Os legisladores republicanos pressionaram o chefe do Fed -sem sucesso- a vincular o aumento dos preços aos gastos públicos durante a pandemia e ao orçamento de US$ 3,5 trilhões que os democratas enviaram ao Congresso.

Nesta quarta-feira, o Fed publicou seu relatório econômico conhecido como Livro Bege, no qual mostra que a atividade econômica nos Estados Unidos continua se fortalecendo e mostra um crescimento "robusto a moderado".

Das 12 regiões do Fed, sete mencionam um "aumento acentuado nos preços".

Seguindo os comentários de Powell e o Livro Bege, a Bolsa de Valores de Nova York fechou de forma desigual.

O principal índice Dow Jones encerrou em alta de 0,13%, para 34.933,23 pontos, enquanto a bolsa de tecnologia Nasdaq caiu 0,22%, para 14.644,95 unidades. O S&P; 500, que começou o dia em alta recorde, acabou ganhando 0,12%, para 4.374,30 pontos.


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