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Estado de Minas JOANESBURGO

Protestos aumentam na África do Sul e exército é enviado para conter distúrbios


12/07/2021 17:30 - atualizado 12/07/2021 17:38

Os confrontos entre manifestantes e agentes da polícia, bem como os saques a lojas, continuavam nesta segunda-feira (12) na África do Sul pelo quarto dia após a entrada na prisão, na última quinta (8), do ex-presidente Jacob Zuma, e o Exército anunciou que apoiará as forças de segurança.

O presidente sul-africano Cyril Ramaphosa afirmou na noite desta segunda-feira que a violência sangrenta que assola duas das cidades mais populosas do país, após a prisão de Zuma, tem poucos precedentes "na história de nossa democracia".

"Partes de nosso país sofreram por vários dias e noites atos de violência pública, destruição de propriedade e roubos que raramente foram vistos na história de nossa democracia", declarou o presidente em um discurso transmitido pela televisão à nação.

Os incidentes começaram na sexta-feira nas áreas zulu (leste), de onde Zuma é originário, e onde ele também foi preso depois de ser condenado a 15 meses por desacato pela justiça.

Desde então, os distúrbios se espalharam por Joanesburgo, principalmente em seus bairros mais pobres, por razões econômicas não relacionadas à condenação de Zuma.

Nesses bairros, as restrições por causa da terceira onda de covid-19, impostas em junho, afetam os pequenos empregos dos quais muitos de seus habitantes dependem para sobreviver.

Os protestos são uma confusão entre "criminosos e indivíduos oportunistas", segundo um porta-voz da polícia.

As pessoas foram a shoppings e lojas, e saíram carregando televisores, alimentos, colchões, geladeiras e até uma banheira apoiada na cabeça, contaram jornalistas da AFP.

A polícia, presente ainda que em número reduzido, perseguiu os que roubaram com balas de borracha para dispersá-los e efetuou algumas prisões, um total de 219, de acordo com os últimos dados disponíveis.

Na manhã de segunda-feira, o centro de Joanesburgo tinha um aspecto sombrio, com vidros quebrados e carros queimados.

Helicópteros da polícia sobrevoavam a megalópole.

Na cidade de Pietermaritzburg, no leste do país, os soldados patrulharam o centro da cidade, no qual as calçadas estavam cheias de entulho e muitas lojas foram fechadas por precaução, incluindo postos de gasolina, como contaram moradores à AFP.

Os bombeiros trabalharam para extinguir vários incêndios. Nesta cidade, o Brookside Mall foi envolvido pelas chamas. A enorme fumaça negra que subiu aos céus não fez parar as dezenas de pessoas que correram para a entrada do prédio em chamas.

Outros desceram ao mesmo tempo, carregando carrinhos de compras cheios de produtos roubados, como registraram as emissoras locais.

- Corpos encontrados -

As mesmas cenas se repetiram em Soweto e também em Katlehong Township, no leste de Joanesburgo, onde um corpo estava sob um cobertor cinza em um estacionamento, cena registrada por um fotógrafo da AFP.

No domingo, no bairro de Jeppe, outro corpo de um homem apareceu na rua, coberto apenas por um lençol, como relatou uma equipe da AFP. Tratava-se de um segurança que levou um tiro na cabeça, segundo testemunhas.

No total, a polícia está investigando a identidade e as circunstâncias de seis pessoas que morreram.

Nesta segunda-feira, uma audiência no Tribunal Constitucional - que condenou Zuma por desacato no final de junho - discutia a a qualificação de sua sentença.

Zuma foi considerado culpado "porque foi intimado a comparecer" perante a comissão que investiga a corrupção do Estado durante seu governo (2009-2018) "e não compareceu", lembrou a juíza Mbuyiseli Madlanga.

O ex-presidente tem brincado de gato e rato com a comissão, perante a qual já tiveram cerca de quarenta depoimentos que o implicam à acusação.

Seu advogado, Dali Mpofu, deverá argumentar novamente que seu cliente está muito velho - ele tem 79 anos - para ser preso e que corre o risco de contrair covid-19 na prisão, argumentos que já foram rejeitados na semana passada por um tribunal inferior.

Ele também deve sugerir prisão domiciliar, argumentando que Zuma não representa um risco de fuga.


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