A polícia fez 62 prisões desde sexta-feira: 37 na província de Kwazulu-Natal (KZN, leste) e 25 em bairros pobres da capital econômica, de acordo com um comunicado divulgado na tarde deste domingo (11).
No leste, os protestos eclodiram após a prisão, na quinta-feira, do ex-presidente Jacob Zuma, condenado por desacato.
A estrada nacional que liga Durban a Joanesburgo foi bloqueada na sexta-feira por manifestantes, especialmente um trecho a 15 km da prisão de Escourt, onde o ex-presidente cumpre sua sentença de 15 meses de prisão, e 23 caminhões foram incendiados.
Essa agitação, inicialmente provocada pela detenção de Zuma, incorpora o desespero econômico sentido por um grande segmento da população desempregada, enquanto o país sofre novas restrições ligadas a uma terceira onda da pandemia de coronavírus.
"Ainda não sabemos as razões reais dos distúrbios. O que sabemos é que todas as lojas, todos os carros foram saqueados", comentou Sphamandla Ndlazi em Jeppe, um bairro pobre de Joanesburgo.
"É difícil saber o que está por trás disso, o motivo de tudo", admitiu o jovem de camiseta e boné, preocupado com a continuidade da situação.
O presidente Cyril Ramaphosa pediu calma no sábado, exortando os sul-africanos que "falem dentro da estrutura da lei" e evitem a destruição que pode assolar ainda mais a economia.
No KZN, a polícia esteve "ainda muito ocupada ontem e à noite", explicou neste domingo o seu porta-voz, Jay Naicker, evocando "criminosos e indivíduos oportunistas" aproveitando o clima tenso para "se enriquecer": várias lojas foram saqueados em Durban.
As lojas que vendem bebidas alcoólicas - que estão fechadas há duas semanas devido às restrições da covid - foram as mais visadas, mas a polícia conseguiu protegê-las, disse ele.
Em Joanesburgo, onde pessoas pobres pedem esmolas em todas as esquinas, as aglomerações, proibidas, degeneraram em violência e pilhagem, dando origem a 25 detenções.
Em Jeppe, a polícia afirma ter dispersado uma multidão de 300 pessoas que ergueram barricadas em uma estrada principal, antes de saquear o comércio. O mesmo ocorreu no município de Alexandra, onde quase 800 manifestantes entraram em confronto com a polícia durante a noite, ferindo um policial.
A polícia continua mobilizada nessas duas regiões, "em estado de alerta" nos principais eixos e pontos críticos.
Zuma, de 79 anos, sentenciado no final de junho, é julgado por muitos escândalos de corrupção. Mas a figura do veterano anti-apartheid continua popular, especialmente em sua região de origem, onde ele incorpora valores tradicionais.
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