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Estado de Minas CARACAS

'Foi como uma guerra!': polícia ocupa bairro de Caracas após dias de confrontos com criminosos


09/07/2021 21:32 - atualizado 09/07/2021 21:38

Um blindado da polícia entra em uma rua estreita de um bairro de Caracas nesta sexta-feira, durante uma operação para retomar o controle do local, após quase dois dias de confrontos com grupos criminosos.

Não há números oficiais de mortes ou feridos nos tiroteios que começaram quarta-feira na zona oeste da capital venezuelana. A mídia local relata uma dúzia de mortes, entre funcionários, criminosos e civis atingidos por balas perdidas.

"Fizemos progressos no desmantelamento das estruturas criminosas que haviam se instalado nesses territórios, com claras pretensões de semear o terror e romper a paz em Caracas", escreveu a ministra do Interior, Carmen Meléndez, no Twitter. "Libertamos cidadãos que foram sequestrados pelos antissociais."

Cerca de 800 agentes participam da operação para recuperar Cota 905, bairro onde opera a gangue liderada por um homem conhecido como "Koki". O governo oferece uma recompensa de 500 mil dólares por informações que permitam sua captura.

"Foi como uma guerra! Nos protegemos e esperamos passar", relatou à AFP Jesús Rey, um mecânico de 40 anos que mora na área.

"Atiravam de todos os lugares", contou uma jovem, que pediu para manter o anonimato. "Entramos em uma casa de tijolos. Éramos 50. (...) Esperamos a noite toda até que esta manhã estava mais calmo e pudemos sair", acrescentou.

- 'Forma contundente' -

A ministra Meléndez publicou fotos de trincheiras improvisadas com sacos de areia e postos de vigilância construídos com toras e telhados de lona em Cota 905.

As autoridades vasculharam várias casas à procura de "Koki" e outros membros da gangue, que teriam fugido da área.

Jornalistas especializados publicaram vídeos de setores da zona ocupada, onde o chão aparece coberto por um tapete de cartuchos de balas, além de baldes cheios de munições.

Nos confrontos foram utilizadas armas de alto calibre, granadas, balas traçadoras, além de drones com os quais as gangues tinham ampla visão das áreas que controlavam.

O governo vincula os confrontos a essas gangues, que também afetaram outras áreas dessa região de Caracas, com um suposto complô da oposição para "desestabilizar" o presidente Nicolás Maduro.

"Os inimigos da Pátria pretendem semear ansiedade por meio do financiamento de gangues criminosas, não ficaremos de braços cruzados", escreveu Maduro no Twitter. "Estamos agindo de forma contundente, cumprindo as leis."

- 'Granadas nos acordaram' -

Vizinhos das áreas afetadas pelos tiroteios abandonaram suas casas e buscaram refúgio com amigos e familiares. Devido a bloqueios nas vias, muitos caminharam vários quilômetros até pontos como o terminal terrestre de Caracas para deixar a cidade.

"Desde que saímos, eles revistaram nossas malas em vários pontos de controle policiais", relatou à AFP uma moradora da Cota 905, sob anonimato. Ela pegou um ônibus para San Juan de Los Morros, no estado de Guárico, a cerca de 130 km de Caracas. "Estou saindo muito preocupada porque o resto da minha família ficou."

Sonia Mota, uma professora de 51 anos, planeja trocar a capital por Guarenas, uma cidade-dormitório a cerca de 30 km de distância. "Esta manhã as granadas nos acordaram", disse ela. "É terrível viver nessa angústia."

Mota vive em El Cementerio, bairro próximo à Cota 905, onde nesta sexta-feira ocorreu uma situação com reféns envolvendo supostos criminosos que foram feridos pela polícia quando tentavam fugir.

Em junho, outro confronto entre polícia e gangues deixou pelo menos três mortos.

A Venezuela registrou 12 mil mortes em atos violentos em 2020, segundo a ONG Observatório Venezuelano de Violência (OVV), uma taxa de 45,6 por 100 mil habitantes, sete vezes maior que a média mundial.

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