O presidente do Haiti, Jovenel Moise, foi assassinado, e sua esposa ferida na manhã desta quarta-feira (7) em um ataque armado em sua casa - anunciou o primeiro-ministro em final de mandato, Claude Joseph.
O premiê disse que agora está no comando do país e pediu à população que mantenha a calma, insistindo em que a polícia e o Exército vão garantir a segurança.
Leia Mais
Condenação e comoção na Holanda após ataque contra jornalistaMilitares de Mianmar declaram guerra aos médicosPuttin determina que só espumantes russos podem ser chamados de champanheEquipes encontram nove corpos de avião que caiu no oriente da RússiaJovenel Moise governava o Haiti, o país mais pobre das Américas, por decreto, após o adiamento das eleições legislativas de 2018 por uma crise política, inclusive sobre o término de seu mandato.
Além da crise política, os sequestros por resgate aumentaram nos últimos meses, refletindo ainda mais a crescente influência de gangues armadas neste país caribenho.
O Haiti também enfrenta pobreza crônica e desastres naturais recorrentes.
Acusado de inação diante da crise, o presidente era visto com forte desconfiança por grande parte da população civil.
A Casa Branca chamou o assassinato do presidente do Haiti de "horrível" e disse que os Estados Unidos estavam dispostos a ajudar na investigação.
A porta-voz do governo, Jen Psaki, declarou que os Estados Unidos vão "ajudar o povo do Haiti, o governo do Haiti se houver uma investigação", acrescentando que a Casa Branca "ainda está coletando informações" e que o presidente Joe Biden será informado sobre o ataque em breve.
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse que ficou "chocado" com este "ato hediondo".
- Crises -
Moise, ex-empresário que construiu diversos negócios no norte do país, de onde é natural, irrompeu no cenário político em 2017 com uma mensagem de reconstrução.Ele fez campanha com promessas populistas, mas manteve a retórica mesmo depois de ser eleito em fevereiro de 2017.
O tempo de duração do seu mandato tornou-se fonte de confronto político. Moise sustentava que duraria até 7 de fevereiro de 2022, mas outros afirmavam que terminou em 7 de fevereiro de 2021.
A discordância decorre de Moise ter sido eleito em uma votação posteriormente anulada por fraude. Um ano depois, ele ganhou as eleições novamente.
Sem um parlamento, a crise do país se agravou em 2020, levando Moise a governar por decreto, alimentando.
Na segunda-feira (05/7), ele nomeou o médico Ariel Henry como primeiro-ministro - o sétimo a ocupar o cargo em quatro anos.
Além das eleições presidenciais, legislativas e locais, o Haiti deve realizar um referendo constitucional em setembro próximo. Esta consulta foi duas vezes adiada, devido à pandemia do coronavírus.
Apoiada por Moise com o objetivo de fortalecer o Poder Executivo, a reforma constitucional foi rejeitada pela maioria da oposição e por muitas organizações da sociedade civil.
A atual Carta Magna foi redigida em 1987, após a queda da ditadura de Duvalier, e declara que "qualquer consulta popular destinada a modificar a Constituição por referendo é formalmente proibida".
Os críticos também afirmam que é impossível organizar uma consulta, diante do estado de insegurança no país.
Nesse contexto, com temores crescentes de uma anarquia generalizada, o Conselho de Segurança da ONU, os Estados Unidos e a Europa consideraram a realização de eleições legislativas e presidenciais livres e transparentes como uma prioridade até o final de 2021.
Henry, de 71 anos, fez parte da resposta ao coronavírus e ocupou cargos no governo em 2015 e 2016 como ministro do Interior e, depois, como ministro dos Assuntos Sociais e do Trabalho.
Também foi membro do gabinete do ministro da Saúde de junho de 2006 a setembro de 2008, antes de se tornar chefe de gabinete. Ocupou este ocupou entre setembro de 2008 e outubro de 2011.
Moise encarregou Henry de "formar um governo de base ampla" para "resolver o problema flagrante da insegurança" e trabalhar para "a realização de eleições gerais e do referendo".
Henry é próximo da oposição, mas sua nomeação não foi bem recebida pela maioria destes partidos, que continuaram a exigir a renúncia do presidente.