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Estado de Minas WASHINGTON

EUA irão concluir retirada do Afeganistão no fim de agosto


02/07/2021 17:31 - atualizado 02/07/2021 17:39

Os Estados Unidos esperam concluir a retirada de suas tropas do Afeganistão no fim de agosto, informaram autoridades nesta sexta-feira, após anunciarem que todos os soldados americanos e da Otan haviam deixado a maior base aérea daquele país.

O anúncio alimentou expectativas de que a retirada fosse concluída em poucos dias, mas a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou que issó irá acontecer no fim de agosto. "Estamos exatamente na trajetória prevista", enfatizou o presidente americano, Joe Biden, em entrevista coletiva.

Biden havia estabelecido o dia 11 de setembro como prazo para a retirada final das poucas tropas restantes, depois de 20 anos de guerra. As dúvidas sobre uma aceleração do calendário aumentaram recentemente, depois que as tropas americanas e da Otan abandonaram a base aérea de Bagram.

Esta base, a maior do país, foi a principal base de retaguarda de todas as operações militares americanas no Afeganistão. Biden estimou que o governo afegão deve agora "ser capaz por si só" de garantir, particularmente, a segurança da capital Cabul, localizada a 50 km do aeroporto. Entretanto, segundo informações da imprensa, os americanos vão manter uma presença de quase 600 soldados lá para proteger sua embaixada.

O talibã comemorou a partida das tropas estrangeiras do local, pilar das operações americanas durante o conflito desde 2001. Era de lá que saíam os bombardeios contra os talibãs e seus aliados da Al-Qaeda e onde era organizado o abastecimento das tropas.

"O aeroporto de Bagram foi oficialmente entregue ao Ministério da Defesa. As forças americanas e da coalizão se retiraram completamente da base e, a partir de agora, as forças do Exército afegão vão protegê-la e usá-la para combater o terrorismo", tuitou o porta-voz do Ministério afegão da Defesa, Fawad Aman.

Pouco antes, um funcionário da Defesa dos EUA havia informado, sob a condição do anonimato, que "todas as forças da coalizão" haviam deixado Bagram.

Os talibãs reagiram, afirmando que "saúdam e apoiam" a saída de todas as tropas dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) da base aérea de Bagram, no Afeganistão. "Sua retirada completa (do Afeganistão) abrirá o caminho para os afegãos decidirem seu futuro por si mesmos", disse o porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid, à AFP.

Desde o começo de maio, os talibãs lançaram várias ofensivas de envergadura nas zonas rurais, enquanto as forças do governo lutam para consolidar suas posições em áreas mais urbanas. Sua capacidade de manter o controle da base aérea de Bagram será crucial para preservar a capital, Cabul, e manter a pressão sobre os talibãs.

- Situação caótica -

A retirada das tropas estrangeiras de Bagram "simboliza o fato de que o Afeganistão está sozinho, abandonado e obrigado a se defender sozinho do assalto dos talibãs", disse o especialista australiano Nishank Motwani. "De volta às suas casas, os americanos e as forças aliadas observarão de longe o que tanto lhes custou construir ser reduzido a escombros, sabendo que os homens e mulheres afegãos com os quais lutaram poderão perder tudo", acrescentou.

De acordo com jornais americanos, o Pentágono manterá cerca de 600 soldados no Afeganistão para controlar a embaixada dos EUA em Cabul. "Continuaremos proporcionando segurança, assistência humanitária e colaborando com o governo afegão nos próximos meses", afirmou Jen Psaki.

Bagram foi construída pelos Estados Unidos para seu aliado afegão durante a Guerra Fria na década de 1950, para se proteger da União Soviética no norte. Durante esses anos, centenas de milhares de militares americanos e da OTAN se instalaram nesta base, quase uma cidade em miniatura. Em uma época, chegou a ter piscinas, cinemas e até restaurantes das redes Burger King e Pizza Hut. Nas instalações, também havia uma prisão para detentos talibãs e jihadistas.

Nestes últimos meses, Bagram foi alvo de disparos de foguetes, reivindicados pelo grupo jihadista Estado Islâmico. Os habitantes da região esperam que a situação não se degrade com a retirada das forças estrangeiras.

"A situação é caótica. Há muita insegurança e o governo não tem (suficientes) armas nem equipamento", disse à AFP Matiullah, que tem uma sapataria no mercado de Bagram. "Desde que começaram a se retirar, a situação piorou. Não há trabalho, o negócio não vai bem", declarou o mecânico de bicicletas Fazal Karim.

Em maio, quase 9.500 soldados estrangeiros permaneciam no Afeganistão, sendo 2.500 americanos. No momento, apenas Alemanha e Itália confirmaram a retirada total de suas tropas.


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