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Estado de Minas LIMA

Vladimiro Montesinos no olho do furacão no Peru duas décadas depois


29/06/2021 11:08

Quem um dia foi o todo-poderoso chefe de Inteligência do Peru, Vladimiro Montesinos, está no olho do furacão após 20 anos em uma prisão de segurança máxima. Alguns telefonemas o conectam a manobras para fraudar o veredicto das eleições presidenciais e favorecer a filha de seu ex-chefe, o ex-presidente Alberto Fujimori.

Montesinos, que cumpre uma pena de 25 anos, ligou para um militar aposentado para organizar um suborno a magistrados do Júri Nacional de Eleições (JNE) para que proclamassem a direitista Keiko Fujimori como vencedora das eleições de 6 de junho, contra o esquerdista Pedro Castillo, que ficou à frente dela na apuração final dos votos.

Os áudios foram divulgados há quatro dias pelo ex-legislador Fernando Olivera, o mesmo que divulgou no ano 2000 um vídeo que mostrava o então braço direito do ex-presidente Fujimori subornando um parlamentar opositor para que se unisse ao oficialismo e, com isso, Montesinos alcançaria a maioria no Congresso.

- "Conde de Montesinos" -

No primeiro dos 17 telefonemas, Montesinos pede ao comandante aposentado Pedro Rejas que fale com o advogado Guillermo Sendón para que suborne três dos quatro membros do JNE e impeça a proclamação de Castillo.

O candidato esquerdista superou sua adversária por 44.000 votos na contagem final, mas o JNE ainda precisa resolver milhares de contestações de votos do fujimorismo antes de proclamar o vencedor.

"Este negócio custa três paus [três milhões de dólares]. Um pau para cada um" dos magistrados, disse Sendón a Rejas, segundo os áudios.

Em outra ligação, Montesinos diz a Rejas: "É o único jeito, não tem outro porque passou muito tempo [...], mas você faça-os entender, o papai ou a garota [Alberto ou Keiko], não sei com quem você fala, que [...] estamos tentando ajudar em um objetivo comum".

"O que eu ganho com isso? Nada [...]. Simplesmente estou tentando ajudar porque, se não, se ferram: a garota vai acabar presa", acrescenta Montesinos, de 76 anos, na prisão de segurança máxima da Base Naval de Callao.

Se perder a Presidência, Keiko Fujimori deverá ir a julgamento este ano por lavagem de dinheiro em um escândalo de aportes ilegais da gigante brasileira de construção Odebrecht.

Ela afirmou que ouviu com "indignação esses áudios [...] de um homem que traiu todos os peruanos".

Ao chegar ao poder em 1990, Alberto Fujimori colocou Montesinos à frente do serviço de Inteligência, do qual se tornou uma grande influência do governo no combate com as guerrilhas, Sendero Luminoso e o guevarista MRTA.

Uma década depois, em setembro de 2000, e com o governo nas cordas, Montesinos caiu em desgraça com a divulgação de vídeos que o mostraram subornando legisladores opositores para que apoiassem Alberto Fujimori. Este último acabava de se reeleger para um terceiro mandato. Foi desencadeada uma crise que levou o presidente a partir para o Japão e a enviar sua renúncia por fax.

Montesinos fugiu para a Venezuela, onde foi detido em 24 de junho de 2001 e mandado de volta para o Peru. O ex-presidente foi extraditado do Chile em 2007 e também condenado a 25 anos de prisão.

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