Jornal Estado de Minas

PARIS

França volta às urnas com apelo para evitar índice de abstenção histórico

Uma semana depois de um primeiro turno marcado por uma abstenção histórica, os franceses devem comparecer às urnas no domingo (27) para o segundo turno de eleições regionais nas quais a extrema-direita, liderada por Marine Le Pen, pode conquistar o primeiro governo regional.



No domingo passado, dois terços dos franceses com direito a voto, ou seja mais de 30 milhões de pessoas, não compareceram às urnas e preferiram aproveitar o início do verão e a suspensão das restrições pela covid, um recorde para uma eleição desde a instauração da V República (1958).

"Fazer com que a abstenção vença é provocar uma derrota da democracia. Devemos todos, coletivamente, combatê-la (...). Hoje faço um apelo solene a todos os nossos compatriotas, a todas e todos: no próximo domingo, votem!", tuitou o primeiro-ministro Jean Castex.

O presidente Emmanuel Macron, que permaneceu em silêncio durante vários dias, abriu na quarta-feira a reunião semanal de gabinete afirmando que "a abstenção é um alerta democrático que deve se respondido", afirmou o porta-voz do governo, Gabriel Attal.



A taxa de abstenção recorde, a apenas 10 meses das eleições presidenciais, soou como um alerta para todos os partidos. O governo organizou uma campanha relâmpago nas redes sociais para estimular os franceses a votar e algumas pessoas defenderam a adoção do voto eletrônico.

Para a analista Céline Braconnier, do Instituto Science Po, "entraram em jogo os motores tradicionais da abstenção: a desconfiança nos governantes eleitos, a sensação de que estão desconectados e afastados dos cidadãos e de que votar não muda realmente nada".

"É um novo momento de desencanto democrático", resume.

- Primeira região para a ultradireita? -

Porém, o que está em jogo nestas eleições é importante: as 13 regiões francesas têm competência em algumas áreas, especialmente transporte público, ensino médio e planejamento territorial.



Além da questão da participação, as eleições de domingo têm uma parcela de incerteza em várias regiões.

No domingo passado, o partido de extrema-direita de Marine Le Pen (Reagrupamento Nacional, RN) conseguiu vencer apenas em uma região, Provença-Alpes-Costa Azul (sudeste), um resultado decepcionante porque todas as pesquisas apontavam a formação na liderança em vários territórios.

Nesta região, seu candidato Thierry Mariani, que foi ministro do ex-presidente Nicolas Sarkozy e desertou do partido de direita Os Republicanos em 2019, terá uma disputa acirrada com o rival de direita Renaud Muselier, que deve ser beneficiado pela retirada da lista de esquerda.

Esta é a única região em que o RN poderia vencer, mas um triunfo seria histórico porque seria a primeira vez que a extrema-direita conseguiria governar uma região.

Para a maioria presidencial, o resultado foi ainda menos brilhante. Apesar de ter vários ministros na disputa, muitas listas não conseguiram sequer alcançar os 10% necessários para passar ao segundo turno e, exceto em caso de surpresas, o partido de Emmanuel Macron, A República Em Marcha (LREM), não conseguirá nenhum governo regional.



O resultado é atribuído à falta de presença local do jovem partido presidencial, criado há quatro anos, mas como ressalta Jessica Sainty, professora de Ciências Políticas da Universidade de Avignon, "isto não o impediu de vencer as eleições presidenciais e legislativas em 2017.

Os partidos "tradicionais", que haviam desaparecido do panorama da imprensa nos últimos anos, sacudidos pela surpreendente eleição do jovem centrista Macron, avançam com boas probabilidades de confirmar a vitória do primeiro turno.

A direita está em boa posição para manter as seis regiões que já governa, mas deve ter duelos apertados em algumas delas, incluindo 'Île-de-France' (região de Paris). As alianças entre ecologistas, socialistas e a esquerda radical devem permitir à esquerda a vitória em seis regiões.

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