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Estado de Minas WASHINGTON

Depois de Biden, Blinken viaja à Europa para fortalecer unidade ocidental


22/06/2021 18:47 - atualizado 22/06/2021 18:51

Dias depois da primeira viagem presidencial de Joe Biden ao exterior, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, viajou à Europa nesta terça-feira (22) para continuar tentando construir a unidade ocidental contra uma China em ascensão.

O chefe da diplomacia americana partiu rumo a Berlim, Paris e Roma para se reunir com dois dos principais líderes da União Europeia, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Emmanuel Macron, além de altos funcionários do Vaticano, e participar das negociações de paz na Líbia.

Blinken encerrará seu périplo em 29 de junho, na cidade italiana de Matera, com uma reunião do Grupo das 20 maiores economias, que o colocará frente a frente com seu equivalente da China, a potência que os Estados Unidos identificam como seu principal rival.

Em sua própria viagem, Biden propôs às democracias ocidentais do Grupo dos Sete um vasto plano de infraestrutura que rivalizaria com a iniciativa Cinturão e Rota da Seda, da China, e liderou uma cúpula da Otan para tratar do caso do país asiático de forma mais explícita do que nunca.

"Esta viagem é uma continuação da prioridade do presidente Biden de reconstruir as relações com nossos aliados", afirmou Phil Reeker, principal diplomata dos EUA para a Europa.

"A força dessas relações estabelecerá a base para muitas das prioridades da política externa, incluindo a recuperação econômica à medida que emergimos da pandemia de covid e nos opomos à República Popular da China e ao autoritarismo em geral em todo o mundo", disse ele à imprensa.

- Reparando relações -

A maioria dos países europeus viu com satisfação o entusiasmo de Biden por alianças após a turbulenta presidência de Donald Trump, que criticou as nações amigas pelo que chamou de práticas comerciais injustas e contribuições insuficientes para a defesa comum.

Biden agiu rapidamente para aliviar as tensões com a Europa, revertendo a decisão de Trump de retirar as tropas americanas da Alemanha e resolvendo uma disputa de longa data com a Europa sobre subsídios para aeronaves.

Em uma decisão mais polêmica, renunciou às principais sanções ao Nord Stream 2, o gasoduto quase concluído entre a Rússia e a Alemanha ao qual se opõe especialmente a Ucrânia, que luta contra separatistas pró-russos e teme perder sua influência como ponto de trânsito.

Alguns legisladores do Partido Democrata, de Biden, criticaram a medida do presidente, tomada em prol de um apaziguamento com o presidente russo, Vladimir Putin, com quem o chefe de Estado dos EUA se reuniu na semana passada em Genebra.

O governo Biden argumenta que o projeto estava muito avançado para ser interrompido e que, em troca, traçou uma estratégia para trabalhar com a Alemanha no estabelecimento de linhas vermelhas para a Rússia. Reeker disse que a administração decidiu "tirar algo positivo dessa difícil situação".

- Mudanças sobre a China -

Ian Lesser, vice-presidente do German Marshall Fund dos Estados Unidos, disse que o Nord Stream é um dos vários assuntos em que Biden terá de manter um "difícil equilíbrio" com os europeus.

Enquanto Merkel se prepara para encerrar seu mandato de 15 anos após as eleições deste ano, o novo rosto amigável na Casa Branca ajuda a garantir que a relação entre os Estados Unidos e a nação mais populosa da UE permaneça estável.

Mas o próximo líder alemão pode adotar com relação à China uma abordagem diferente da atual chanceler, uma defensora da opção de cortejar a potência asiática por meio do comércio.

Uma das principais candidatas à sucessão de Merkel, Annalena Baerbock, dos Verdes, defende posições que agradariam Biden, por exemplo, sobre empresas chinesas como a Huawei, que coletam dados na Europa, ou sobre o tratamento da minoria uigur, questão pela qual os Estados Unidos acusam Pequim de genocídio.

"Tem ocorrido um endurecimento de opiniões na Europa sobre a China", declarou Lesser, radicado em Bruxelas. "Embora as atitudes aqui não sejam exatamente iguais às de Washington e possam nunca se alinhar perfeitamente em detalhes ou estilo, o governo Biden busca encorajar essa convergência de longo prazo", ressaltou.


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