Jornal Estado de Minas

SÃO PAULO

Milhares de brasileiros vão às ruas contra Bolsonaro

Dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de várias capitais brasileiras neste sábado (19) para protestar contra o presidente Jair Bolsonaro por sua gestão da pandemia, que já deixou mais de meio milhão de mortos no país.



Em mais de 20 capitais houve protestos, entre elas Rio de Janeiro, Brasília, Recife e São Paulo, onde, apesar do frio, a multidão encheu 10 quarteirões da Avenida Paulista.

"Temos mais de 2 mil mortos por dia. Perdemos mais de 500 mil pessoas por causa de uma doença para a qual existe vacina. Queria estar em casa, mas cabe a nós sair às ruas para deter esse projeto político que é a destruição do Brasil. Bolsonaro, ouça o povo", disse a estudante Tita Couto, 21, que participou com amigos da manifestação em São Paulo.

Muitos manifestantes exibiam cartazes com o número 500.000, referindo-se aos mortos por causa da doença. "Fora Bolsonaro!", "Fora genocida!", "Governo da fome e do desemprego", "Vacina já!" e "Vacina no braço e comida no prato" foram palavras de ordem que se repetiram nas manifestações.

A lentidão da campanha de vacinação também mobilizou as pessoas. "É muito frustrante", disse Felipe Rocha, 34, que terá que aguardar mais um mês para receber a primeira dose.

No fim da tarde, a temperatura caiu e começou a chuviscar em São Paulo, mas a multidão cresceu. Torcedores de Corinthians e Palmeiras marcaram presença, agitando bandeiras "pela democracia".



Mais cedo, no Rio de Janeiro, milhares de pessoas se reuniram no centro da cidade para repudiar a atuação de Bolsonaro. "A postura dele com relação à Covid e ao negacionismo é absurda. Ele já fugiu da realidade, do bom senso, não tem mais explicação. E tão surreal", comentou o fotógrafo Robert Almeida, 50.

Os atos foram convocados pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, formadas por dezenas de organizações sociais e sindicais, apoiadas por partidos e líderes políticos, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), que não participou da manifestação.

Lula lamentou hoje no Twitter o número de óbitos pela Covid. "Quinhentos mil mortos por uma doença que já tem vacina, em um país que já foi referência mundial em vacinação. Isso tem nome e é genocídio."

O Brasil é o segundo país no ranking de mortalidade da pandemia.

audima