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Estado de Minas WASHINGTON

Novo feriado 'Juneteenth', que marca o fim da escravidão, causa confusão nos EUA


18/06/2021 17:47

Fechamento de escolas e embaixadas e folga inesperada para funcionários do governo: a repentina declaração do feriado nacional "Juneteenth" - uma contração de junho e 19 em inglês - para celebrar o fim da escravidão gerou confusão nesta sexta-feira (18) nos Estados Unidos.

"Os bancos funcionam? Os correios estão abertos?", questionavam alguns. O Congresso aprovou o novo feriado federal e a Casa Branca o sancionou com uma velocidade tão incomum que muitos não sabiam o que esperar.

"Queridas famílias. Amanhã estaremos fechados em cumprimento ao feriado federal, o Juneteenth!", informou por e-mail uma creche em Maryland na quinta-feira, poucos minutos antes da meia-noite. "Tenham um ótimo fim de semana!"

Em todo o país, os tribunais federais fecharam as portas, exceto para certos serviços de emergência. As autoridades dos Centros de Controle de Doenças (CDC) adiaram uma reunião agendada para discutir os efeitos colaterais de certas vacinas contra a covid-19.

E com uma agenda já bastante complicada pela pandemia, algumas embaixadas norte-americanas também pausaram suas atividades, prometendo remarcar os agendamentos consulares cancelados abruptamente.

No entanto, com a entrada em vigor imediata do feriado, não deu tempo para Wall Street fazer mudanças. O sino soou como de costume na manhã desta sexta na Bolsa de Valores de Nova York, embora um porta-voz tenha confirmado à AFP que estava considerando fechar o mercado para marcar a data no próximo ano.

- "Um dia melhor" -

O "Juneteenth" faz referência a 19 de junho de 1865. Nesse dia, um general da União chegou a Galveston, Texas, e informou aos escravos que eles estavam livres, dois meses após o fim da Guerra Civil e dois anos e meio depois que o presidente Abraham Lincoln emitiu a Proclamação de Emancipação.

A data se torna, assim, o décimo segundo feriado federal dos EUA e o primeiro desde que o presidente Ronald Reagan decretou o Dia de Martin Luther King Jr. em 1983 para comemorar o aniversário do líder de direitos civis que foi assassinado.

"'Juneteenth' simboliza tanto a longa e difícil noite de escravidão e submissão quanto a promessa de um dia melhor", disse o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, na quinta-feira, ao proclamar o novo feriado junto a sua vice-presidente, Kamala Harris, que é negra.

A cerimônia foi marcada pela emoção, fruto de uma sucessão de decisões tomadas com uma rapidez e um consenso muito raros no ambiente político de Washington, que costuma ser marcado pela morosidade e por divisões.

O processo começou na terça-feira, quando o senador republicano Ronald Johnson, que se opôs à criação deste feriado por um ano por razões econômicas, suspendeu suas objeções. Pouco depois, o texto foi aprovado por unanimidade no Senado.

No dia seguinte, o projeto foi aprovado por uma esmagadora maioria na Câmara dos Representantes. Logo a Casa Branca anunciou que Biden promulgaria a lei na quinta-feira.

Mas havia um problema: 19 de junho deste ano cairia em um sábado, então, segundo as regras, o novo feriado teria que ser transferido para a sexta-feira. Como fazer isso de forma tão rápida? Certamente ficará para o próximo ano, muitos pensaram.

Os céticos estavam errados. Por fim, foi anunciado que funcionários do governo federal considerados não essenciais teriam direito a folga nesta sexta.

- Uma "coisa boa" de Trump -

Muitos nos Estados Unidos desconheciam essa data histórica no ano passado.

Mas depois da onda de raiva contra o racismo provocada pela morte de George Floyd, um homem negro assassinado por um policial branco em 25 de maio de 2020, em Minneapolis, a defesa do "Juneteenth" ganhou novos adeptos.

O então presidente Donald Trump teve que adiar uma reunião de campanha marcada para aquela data. Diante da polêmica, ele disse: "Fiz uma coisa boa: tornei o 'Juneteenth' muito famoso."

O magnata do mercado imobiliário acertou em cheio. Fora do Texas e de outros estados do sul, que já comemoravam o feriado, poucos norte-americanos brancos sabiam o que aconteceu em 19 de junho de 1865.

Um ano depois, as coisas mudaram muito, com eventos organizados em todo os Estados Unidos, como o programa especial "Juneteenth: juntos vencemos" do canal ABC, com Barack Obama como convidado especial.


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