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Estado de Minas JIUQUAN

Astronautas chineses decolam rumo a sua nova estação espacial


17/06/2021 05:52 - atualizado 17/06/2021 05:55

A China lançou nesta quinta-feira (17) o foguete que transporta seus três astronautas rumo a sua nova estação espacial, em construção para uma missão de três meses, que encarna as esperanças "do povo e do partido (comunista)".

O foguete Longa Marcha-2F decolou com os três astronautas às 9h22 do horário local (22h22 de Brasília, quarta-feira), em meio a uma nuvem de fumaça do centro de lançamento de Jiuquan, no deserto de Gobi, no noroeste da China.

Depois de 10 minutos alcançou a órbita e a nave espacial se separou do foguete, em meio a aplausos na sala de controle.

Esta missão é a primeira vez em quase cinco anos que a China lança um voo espacial tripulado, um recorde para o gigante asiático.

O canal de televisão estatal CCTV exibiu ao vivo as imagens do interior da nave espacial, onde os três astronautas levantaram as viseiras dos capacetes para mostrar seus rostos, um deles sorrindo e acenando para a câmera.

Câmaras posicionadas no exterior da nave exibiram imagens ao vivo da Terra à distância.

"De acordo com informações do centro de controle espacial de Pequim, o foguete Longa Marcha-2F enviou a nave tripulada Shenzhou-12 à órbita", disse Zhang Zhifen, diretor do centro de lançamento de satélites de Jiquan.

"Os painéis solares foram acionados com êxito e agora declaramos a Shenzhou-12 um completo sucesso", completou.

Em uma cerimônia prévia à decolagem, os três astronautas com seus trajes espaciais saudaram um grupo de simpatizantes e trabalhadores do centro centro espacial, que cantaram uma canção patriótica que afirma: "Sem o Partido Comunista Chinês, não existiria uma nova China".

O comandante da missão é Nie Haisheng, um condecorado piloto do Exército de Libertação Popular, que já participou em duas missões espaciais. Os outros dois tripulantes também são militares.

Em um momento de tensão com o Ocidente, o êxito desta missão é uma questão de prestígio para Pequim, que se prepara para celebrar o centenário do Partido Comunista Chinês em 1º de julho.

- Vida espacial -

Os astronautas ficarão no Tianhe, o único módulo da estação que foi colocado em 29 de abril em órbita terrestre (350-390 km de altura).

Na estação, eles se dedicarão aos trabalhos de manutenção, instalações, saídas para o espaço, preparação de futuras missões e próximas estadias de outros tripulantes.

O módulo tem um espaço para cada um deles, equipamentos para exercícios e um centro de comunicação para email e videochamadas com o controle terrestre.

Huang Weifen, do Programa Espacial Tripulado da China, afirmou que os astronautas farão duas caminhadas espaciais durante a missão, cada uma de entre seis e sete horas.

Ele explicou que os três usarão trajes espaciais desenvolvidos recentemente.

O trio realizou mais de 6.000 horas de treinamento, incluindo cambalhotas em uma piscina em trajes espaciais, para se acostumar com os passeios sem gravidade.

"Lutamos a cada minuto para realizar nosso sonho espacial", declarou Liu Boming, outro membro da tripulação. "Treinei me dedicando à causa", acrescentou.

Em sua cápsula, os três soldados poderão escolher entre 120 alimentos nas refeições e treinar na esteira para se manter em forma.

A missão Shenzhou-12 é o terceiro lançamento dos 11 que serão necessários para a construção da estação, entre 2021 e 2022. Quatro dessas missões serão tripuladas.

- Pesquisa científica -

Além de Tianhe, que já está em órbita, os dois módulos restantes - que serão laboratórios de biotecnologia, medicina e astronomia - serão enviados ao espaço no próximo ano.

Após a conclusão, a estação terá uma massa de cerca de 90 toneladas e deverá ter uma vida útil de pelo menos 10 anos, de acordo com a agência espacial chinesa.

O interesse chinês em ter sua própria base humana na órbita da Terra foi alimentado pela proibição americana contra a presença de seus astronautas na ISS.

Esta última - uma colaboração entre os Estados Unidos, Rússia, Canadá, Europa e Japão - deve ser aposentada em 2024, embora a Nasa tenha dito que poderia permanecer operacional além de 2028.

"Estamos prontos para cooperar com qualquer país que esteja comprometido com o uso pacífico do espaço", declarou um alto funcionário da CMSA, Ji Qiming, a repórteres.


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