Jornal Estado de Minas

RIADE

Arábia Saudita executa um xiita em "julgamento falho", dizem ativistas

A Arábia Saudita executou nesta terça-feira (15) um homem da minoria xiita condenado por acusações relacionadas a um protesto antigovernamental em sua adolescência, no que os ativistas chamaram de um julgamento "profundamente falho".



Mustafa al Darwish foi executado na cidade oriental de Dammam por participar em uma "revolta armada" contra o governo saudita e "desestabilizar a segurança" do reino, informou a agência estatal Saudi Press Agency.

Darwish foi preso em maio de 2015 por sua suposta participação em protestos durante a Primavera Árabe entre 2011 e 2012, de acordo com organizações de direitos humanos como a Anistia Internacional (AI), que observou que ele tinha 17 ou 18 anos na época das manifestações.

"Ao levar a cabo esta execução, as autoridades da Arábia Saudita mostraram um desprezo deplorável pelo direito à vida", criticou a AI em um comunicado.

"Darwish é a última vítima do sistema de justiça saudita profundamente falho, que regularmente condena pessoas à morte depois de julgamentos claramente injustos com base em confissões obtidas sob tortura", acrescentou.

A organização Reprieve observou que as autoridades não informaram a família de Darwish sobre a execução, que eles souberam "lendo as notícias na internet".

Em abril do ano passado, a Arábia Saudita anunciou que deixaria de aplicar a pena de morte a pessoas condenadas por crimes cometidos quando eram menores de 18 anos e que, em vez disso, receberiam uma sentença de 10 anos de detenção.

"Mais uma vez, as autoridades sauditas mostram que sua alegação de que aboliram a pena de morte para menores é falsa", afirmou Ali al Dubaisi, diretor da Organização Saudita Europeia para os Direitos Humanos.

A Arábia Saudita tem uma das maiores taxas de execução do mundo.



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