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Estado de Minas WASHINGTON

Tesouro dos EUA sanciona quatro funcionários da Nicarágua próximos ao presidente


09/06/2021 17:43 - atualizado 09/06/2021 17:43

Os Estados Unidos impuseram nesta quarta-feira (9) sanções econômicas a quatro funcionários nicaraguenses próximos do presidente, Daniel Ortega, entre eles sua filha, Camila Antonia Ortega Murillo, após uma série de detenções de opositores denunciadas por Washington.

As pessoas foram sancionadas por seu apoio "ao regime de Ortega, um regime que tem socavado a democracia, abusado dos direitos humanos da população civil, promulgado leis repressivas com graves consequências econômicas e tentado silenciar os meios de informação independentes", informou o Departamento do Tesouro em um comunicado.

Além de Ortega Murillo, filha do presidente e da vice Rosario Murillo, coordenadora da Comissão Nacional de Economia Criativa, foram sancionados outras três pessoas próximas a Ortega.

São eles Leonardo Ovidio Reyes Ramírez, presidente do Banco Central; Edwin Ramón Castro Ricera, deputado da Assembleia Nacional; e o general Julio Modesto Rodríguez Balladares, diretor-executivo do Instituto de Previsão Social Militar (IPSM), fundo público de investimentos do Exército nicaraguense.

Os quatro entraram na lista do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Tesouro, com o qual todos os bens e ativos que tiverem sob jurisdição dos Estados Unidos ficam bloqueados e são proibidos de qualquer transação que envolva indivíduos e entidades americanas.

Quatro líderes opositores aspirantes às eleições presidenciais de 7 de novembro na Nicarágua, para as quais Ortega poderia se candidatar a um quarto mandato, foram detidos nos últimos dias.

Os quatro pré-candidatos presidenciais detidos a cinco meses das eleições foram a jornalista Cristiana Chamorro Barrios; seu primo, o empresário Juan Sebastián Chamorro García; o acadêmico e ativista político Félix Maradiaga, e o ex-diplomata Arturo Cruz.

Também foram presos o dirigente empresarial José Aguerri e a líder da sociedade civil Violeta Granera. Nesta quarta, foi detido o ex-chanceler nicaraguense José Pallais, sob a acusação de "incitar a intervenção estrangeira nos assuntos internos", "pedir intervenções militares" e organizar recursos externos para "executar atos de terrorismo e desestabilização do governo Ortega, segundo um comunicado da polícia.

Pallais é membro do bloco opositor denominado Coalizão Nacional e durante os protestos contra o governo, em 2018, foi membro da Aliança Cívica pela Justiça e a Democracia (ACJD), contraparte do governo no diálogo que buscava a solução para o conflito.

Os delitos atribuídos a ele e aos outros seis opositores detidos estão previstos na lei de Defesa dos Direitos do Povo e Soberania e de agentes estrangeiros, aprovada em dezembro por iniciativa do governo Ortega para proteger a independência e a soberania.

- Outras condenações -

Washington disse nesta terça que as detenções confirmam que o presidente nicaraguense é um "ditador" e pediu à comunidade internacional que "o trate como tal".

"Os Estados Unidos pedem ao presidente Daniel Ortega e o governo da Nicarágua para libertar imediatamente os candidatos presidenciais", "assim como outros líderes da sociedade civil e da oposição que foram detidos na semana passada", disse nesta quarta-feira o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.

Ele advertiu que tanto Ortega quanto "quem executa suas ordens autoritárias" serão considerados pessoalmente "responsáveis pela segurança e o bem-estar" dos detidos.

"Os Estados Unidos vão continuar usando ferramentas diplomáticas e econômicas contra membros do regime envolvidos nesta onda de repressão", acrescentou Price, em uma ameaça velada de novas sanções.

"As ações do presidente Ortega prejudicam os nicaraguenses e empurram o país para a tirania", disse a diretora da OFAC, Andrea Gacki. "Os Estados Unidos continuarão denunciando os funcionários que ignoram a vontade dos cidadãos", acrescentou.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, exigiu nesta quarta-feira a libertação dos candidatos da oposição à Presidência da Nicarágua detidos, disse seu porta-voz, Stéphane Dujarric.

Guterres "está muito preocupado com as recentes detenções, assim como pela invalidação de candidaturas de dirigentes da oposição na Nicarágua", afirmou o porta-voz, durante sua coletiva diária.


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