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Estado de Minas NAÇÕES UNIDAS

Conselho de Segurança recomenda segundo mandato de Guterres como secretário-geral da ONU


08/06/2021 13:53 - atualizado 08/06/2021 13:55

O Conselho de Segurança aprovou por unanimidade nesta terça-feira (8) recomendar Antonio Guterres, de 72 anos, para um segundo mandato como secretário-geral da ONU para o período 2022-2026.

No cargo desde janeiro de 2017, o ex-primeiro-ministro português foi o único postulante na disputa. Outras 10 pessoas buscaram o posto, mas não eram candidatas formais porque não receberam o respaldo de nenhum dos 193 países que integram a ONU.

O Conselho, crucial no processo de nomeação, aprovou em uma sessão a portas fechadas a recomendação para que a Assembleia Geral aprove o segundo mandato de Guterres, anunciou seu atual presidente, o embaixador da Estônia Sven Jürgenson.

A aprovação da Assembleia é considerada uma mera formalidade e deve acontecer em breve.

Durante seu primeiro mandato, Guterres se viu obrigado a concentrar esforços para limitar os potenciais danos da política externa unilateral, nacionalista e afastada das alianças estimulada pelo ex-presidente americano Donald Trump.

"Estamos em dívida com ele porque a ONU não implodiu sob Trump, algo que poderia ter acontecido", disse um diplomata.

Em relação à pandemia, Guterres alertou contra a devastação do coronavírus e os perigos que ameaçam o mundo com a crise de saúde, embora tivesse pouca margem de manobra, já que os países optaram por travar batalhas individuais contra a covid-19 em detrimento de um esforço coletivo.

Da mesma forma, Guterres fez do combate ao aquecimento global uma de suas prioridades, mas a esse respeito também não tem muitas conquistas a seu favor.

- Mais sombras do que luzes -

Muitos diplomatas estimam que a resolução de conflitos será o principal desafio de seu segundo mandato.

Guterres não obteve muitas vitórias diplomáticas importantes nesse sentido, já que as guerras na Síria, Iêmen e Mali, por exemplo, estão longe de serem resolvidas.

Um processo de paz começou na Líbia, que mergulhou no caos violento após a morte de Muammar Kadhafi em 2011, mas a ONU está apenas desempenhando um papel de acompanhamento.

"Ele não teve muita influência na resolução das crises, mas seus antecessores se saíram melhor?", questionou um diplomata.

Os críticos também destacam a passividade da ONU em face da repressão militar de Mianmar contra o povo rohingya desde 2017, que os investigadores da ONU dizem que constitui um genocídio.

"O primeiro mandato de Guterres foi definido por seu silêncio público sobre os abusos dos direitos humanos cometidos pela China, Rússia e Estados Unidos e seus aliados", disse Kenneth Roth, diretor executivo da Human Rights Watch.

Ele acrescentou que em seu novo mandato, Guterres deve defender esses direitos com firmeza e estender "sua recente disposição de denunciar abusos em Mianmar e Belarus" a "todos os governos que merecem condenação, incluindo os poderosos e protegidos".

Guterres considera a discrição como um "elemento-chave" de seu trabalho.

"Às vezes, para ser eficaz, deve ser feito com discrição, para estabelecer conexões" entre as partes que "são essenciais para evitar o pior nos confrontos e tentar encontrar soluções".


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