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Estado de Minas MÉXICO

Presidente do México tenta amenizar revés nas eleições legislativas


07/06/2021 19:18 - atualizado 07/06/2021 19:27

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, comemorou nesta segunda-feira (7) o fato de que sua coalizão manteve a maioria na Câmara dos Deputados e o controle de questões-chave como o orçamento nacional, apesar de ter perdido cadeiras nas eleições legislativas de domingo.

"Agradeço muito porque com esta eleição os partidos simpatizantes do projeto de transformação que está em curso terão maioria na Câmara dos Deputados", afirmou o presidente de esquerda em sua conferência matinal.

O partido Morena de López Obrador perdeu a maioria absoluta no corpo de 500 deputados que detinha sozinho, mantendo a tendência dessas eleições, que desde 1997 reduziram ou arrebataram as maiorias dos partidos no poder.

Agora passará a ter entre 190 e 203 cadeiras na Câmara, de acordo com a projeção do Instituto Nacional Eleitoral (INE). Mas ainda deve manter a maioria com os três partidos aliados ao somar entre 265 e 298 cadeiras.

López Obrador ressaltou que este resultado permite-lhe "garantir o orçamento nacional" - que é aprovado com metade mais um dos votos - para financiar os vastos programas de apoio monetário que o seu governo dirige aos estudantes e idosos de baixa renda.

Porém, a coalizão governista perdeu a maioria qualificada de dois terços - necessária para aprovar reformas constitucionais -, que tem atualmente com 333 cadeiras na Câmara.

"É uma derrota de López Obrador, não esmagadora, mas o enfraquece, assim como seu projeto, porque precisa de reformas constitucionais", declarou à AFP o cientista político e historiador José Antonio Crespo.

A maioria qualificada é crucial para o programa antineoliberal do presidente, que pretende devolver ao Estado o controle do setor energético, em sentido contrários às leis que abriram a porta para as empresas privadas em 2014.

A nova Câmara dos Deputados, eleita a cada três anos, iniciará o mandato em 1º de setembro. O Senado, também dominado pelo Morena, é renovado a cada seis anos.

No domingo também foram eleitos 15 de 32 governados, além de mais de 21.000 cargos locais. O Morena teria conquistado ao menos nove governos, o que representa um progresso pois atualmente comanda seis estados, de acordo com as contagens rápidas.

- Avanço da oposição -

As eleições representaram um avanço para a oposição.

Os partidos Ação Nacional (PAN), Revolucionário Institucional (PRI) e Revolução Democrática (PRD), que estabeleceram uma aliança, terão entre 181 e 213 deputados. Atualmente somam 139.

Crespo acredita que a oposição obteve uma vitória importante porque conseguiu "capitalizar o descontentamento". "Embora a realidade seja que [os eleitores] votaram contra López Obrador, não a favor deles", acrescentou.

O partido Morena também perdeu o controle de várias prefeituras da Cidade do México que sempre havia controlado, segundo a apuração oficial preliminar. A esquerda governa a capital desde 1997, mas a prefeitura central não estava em disputa.

AMLO, como o presidente é chamado, tem uma popularidade superior a 60%, baseada em vários programas sociais, segundo as pesquisas. Ele foi eleito em 2018 para um mandato de seis anos.

- Violência e pandemia -

As eleições aconteceram após os efeitos devastadores da pandemia e uma escalada de violência que registrou o assassinato de 91 políticos, incluindo 36 candidatos ou pré-candidatos, segundo a consultoria Etellekt.

Quatro indígenas que participaram da votação no estado de Chiapas, no sudeste do país, foram mortos na noite de domingo em uma seção eleitoral, informou a promotoria, em uma aparente disputa entre partidos.

Também no domingo, duas cabeças e pedaços de corpos foram colocados em locais de votação de Tijuana (noroeste, fronteira com os Estados Unidos), segundo a promotoria.

Essa violência se insere no banho de sangue que o país vem sofrendo desde 2006, quando o governo da época lançou uma operação militar antidrogas.

Apesar do medo reinante em várias localidades, a taxa de participação nas eleições ficou entre 51,7% e 52,5%, de acordo com o INE.

O México é um dos países mais afetados pelo coronavírus, mas a perspectiva de um voto de castigo não era clara ante o retrocesso da epidemia, segundo as pesquisas.

O país, de 126 milhões de habitantes, acumula quase 229.000 mortes por covid-19 - quarto no mundo em números absolutos - e a taxa de mortalidade por 100.000 habitantes é a 21ª do planeta.


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