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Estado de Minas MÉXICO

Mexicanos votam em eleição-chave para o projeto de López Obrador


06/06/2021 15:38 - atualizado 06/06/2021 15:43

Os mexicanos votam neste domingo (6) nas eleições legislativas e locais, um teste fundamental para o presidente Andrés Manuel López Obrador, após uma campanha violenta e a devastação deixada pela pandemia de covid-19.

O processo de renovação da Câmara dos Deputados, que elegerá 20 mil assentos regionais e 15 de 32 governadores, será concluído às 18h00 locais (20h00 de Brasília).

"Viva a democracia!", exclamou López Obrador após votar a poucos passos do palácio do governo, no centro da Cidade do México, sem fazer mais comentários.

Este é um teste crucial para o presidente de 67 anos, que tenta manter o controle da Câmara dos Deputados e, assim, consolidar seu projeto de esquerda.

Os mexicanos "estão escolhendo entre duas visões opostas do México e seu futuro", comentou Pamela Starr, professora da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos.

Estão convocados a votar cerca de 95 milhões de mexicanos.

Embora o México seja um dos países mais afetado pela pandemia, a perspectiva de um voto punitivo contra o governo parece enfraquecida diante do retrocesso da epidemia, de acordo com pesquisas.

López Obrador, conhecido pelo acrônimo AMLO, mantém uma popularidade superior a 60% e espera-se que mantenha uma maioria cômoda no Congresso para impulsionar reformas em sua cruzada contra o neoliberalismo. É provável, porém, que a situação perca alguns assentos, de acordo com pesquisas.

Apresentando-se como um pilar da luta contra a corrupção crônica, o presidente foi eleito em 2018 para um mandato de seis anos e baseia sua aprovação em amplos programas sociais.

"Quem quer que esteja no poder, devemos continuar a apoiá-lo", disse Jorge Hernández, um garçom de 52 anos, à AFP no bairro de Anáhuac, na capital. "Meus filhos têm uma bolsa de estudos e graças a ela pudemos ter um certo alívio na pandemia".

Violência eleitoral -

As eleições são realizadas em um clima de violência, após o assassinato de 91 políticos desde setembro do ano passado quando o processo eleitoral foi iniciado. Destes, 36 eram candidatos o pré-candidatos, em sua maioria a cargos municipais, segundo a consultoria Etellekt.

Essa escalada é parte do banho de sangue que assola o país desde 2006, quando o governo da época lançou uma operação militar contra os cartéis de drogas.

A secretária de Segurança Pública, Rosa Icela Rodríguez, afirmou que há focos de violência identificados durante o dia das eleições.

"Estão em vários municípios, mas felizmente a Guarda Nacional já está nesses locais", garantiu Rodríguez a repórteres após votar.

Em Guerrero (sul), um dos estados mais violentos do país, membros da polícia civil comunitária acompanharam o desenrolar do dia.

"Os membros do crime organizado vêm com os líderes comunitários para dividir as pessoas, eles não os deixam votar como querem", denunciou Isaías Posotema, um dos líderes da polícia comunitária em Chilapa, uma área assolada por grupos criminosos.

- Maioria chave -

A crise sanitárias soma-se à pobreza, situação em que metade da população - 126 milhões - já vivia antes do novo coronavírus.

As eleições são realizadas após uma campanha sangrenta que resultou em 91 políticos assassinados desde setembro passado. Desses, 36 eram candidatos ou pré-candidatos.

López Obrador, que atribui a violência a uma estratégia do crime organizado para ampliar seu poder, afirma que a segurança para a votação está garantida. Em 2018, 48 candidatos foram assassinados.

"Enquanto os candidatos competem por votos, os grupos criminosos estão ocupados procurando aliados em potencial entre as futuras autoridades", diz a ONG International Crisis Group.

- Caráter plebiscitário -

A aliança no poder, liderada pelo partido Morena da AMLO, tem maioria qualificada na Câmara dos Deputados (dois terços dos 500), que é eleita a cada três anos.

De acordo com uma pesquisa consolidada da empresa Oraculus, o partido no poder poderia perder esse domínio, embora por pouco, ao passar de 333 para 322 cadeiras.

É necessária maioria qualificada em ambas as casas para aprovar as reformas constitucionais. Até agora, a situação precisa apenas buscar acordos com a oposição no Senado, que controla sem ter dois terços das cadeiras.

Mas, se as previsões se confirmarem, isso também terá que ser feito na Câmara dos Deputados.

Um retrocesso poderia fragilizar o projeto da AMLO, que promove reformas para devolver ao Estado o protagonismo no setor energético, contrariando as leis que ampliaram a participação privada em 2014.

Contudo, "se a coalizão de López Obrador conseguir uma grande vitória (...), pode ganhar influência política e legitimidade para pressionar o Senado a aprovar suas políticas, abrindo portas para reformas significativas", estima a consultoria britânica Capital Economics.

Desde 1997, as eleições legislativas reduziram ou acabaram com as maiorias dos partidos no poder.

Enfraquecida durante o governo López Obrador, a oposição concorre com uma aliança de partidos tradicionais: o ex-hegemônico PRI (centro), o PAN (conservador) e o PRD (esquerda).

O México, de 126 milhões de habitantes, acumula quase 229.000 mortes por covid-19 - o quarto maior número do mundo em números absolutos - e sua taxa de mortalidade é a vigésima primeira por 100.000 habitantes.


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