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Estado de Minas HONG KONG

Pequim critica consulados dos EUA e da UE por velas em memória das vítimas de Tiananmen


05/06/2021 08:04

As autoridades chinesas consideraram que as velas acesas pelos consulados dos Estados Unidos e da União Europeia em Hong Kong para recordar a repressão de 4 de junho de 1989 na Praça da Paz Celestial (Tiananmen) representaram um "espetáculo político" visando desestabilizar o território.

"Qualquer tentativa de explorar Hong Kong para realizar atividades de infiltração ou sabotagem contra o continente (China continental) cruza a linha vermelha (...), e é absolutamente intolerável", declarou um porta-voz do escritório em Hong Kong do ministério chinês das Relações Exteriores.

"Mais uma vez, instamos os órgãos dos países envolvidos em Hong Kong a cessarem imediatamente (...) de se intrometer nos assuntos de Hong Kong e nos assuntos internos da China em geral, e a evitarem brincar com fogo", acrescentou.

Velas foram acesas na noite de sexta-feira nas janelas do prédio do consulado dos Estados Unidos, que fica ao lado da residência de Carrie Lam, a dirigente de Hong Kong nomeada por Pequim, bem como nas do escritório da União Europeia.

Essas missões diplomáticas também postaram nas redes sociais fotos de suas homenagens às vítimas do massacre da Praça da Paz Celestial.

Por três décadas, em Hong Kong, enormes multidões realizaram vigílias à luz de velas em 4 de junho em memória dos mortos em 1989 durante a repressão ao movimento pró-democracia em Pequim.

Mas, este ano, todos os eventos foram formalmente proibidos pelas autoridades chinesas na ex-colônia britânica. A polícia, em particular, proibiu na sexta-feira o acesso ao Victoria Park, que era o ponto de encontro tradicional para essas manifestações.

Alguns moradores de Hong Kong, no entanto, encontraram outras maneiras de recordar o aniversário, incluindo acender pequenas luzes nas ruas ou nas janelas à noite.

As autoridades evocaram, como no ano passado, as restrições ligadas à pandemia do coronavírus para banir a vigília. A cidade, porém, não registra nenhum caso de contaminação local de origem não identificada há mais de um mês.

No ano passado, a polícia também havia banido os eventos, mas assistiu sem intervir milhares de pessoas no Victoria Park. Desde então, alguns organizadores receberam sentenças de prisão.

Em um ano, o clima político se deteriorou consideravelmente na ex-colônia britânica com a repressão implacável do movimento pró-democracia que havia mobilizado maciçamente nas ruas em 2019 a população contra a interferência de Pequim.


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