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Estado de Minas JERUSALÉM

Naftali Bennett, o ex-aliado de Netanyahu que quer removê-lo do cargo


02/06/2021 19:50

Ele deixou de ser o conselheiro de Benjamin Netanyahu para se tornar seu rival. Naftali Bennett, líder da direita radical, poderia suceder seu mentor e se tornar o próximo primeiro-ministro de Israel.

Bennett lidera o partido Yamina, que defende o ultraliberalismo econômico, a linha-dura contra o Irã e a anexação de quase dois terços da Cisjordânia ocupada, o que dá a seu partido de direita radical muita popularidade entre os colonos judeus.

O ex-empresário, de 49 anos, fez fortuna no setor da tecnologia e entrou na política relativamente tarde. Mas desde 2013, este militante do "nacionalismo religioso" ocupou cinco pastas ministeriais.

A última, a da Defesa, em 2020, que o levou a organizar uma grande mobilização do exército para administrar a crise provocada pela pandemia da covid-19.

"Uma imagem feita sob medida para um público [israelense] que busca desesperadamente um substituto legítimo para Netanyahu", disse Evan Gottesman, do Israel Policy Forum.

Há apenas dois anos, era considerado politicamente morto mas, embora nas últimas legislaturas - em março - tenha obtido um resultado medíocre, soube jogar suas cartas nas últimas semanas para acabar se tornando um jogador-chave na formação de uma possível coalizão governamental.

Até o momento, Bennett alimentava dúvidas sobre suas intenções, sem deixar claro se daria o golpe final em Netanyahu, no poder desde 2009. Antes disso, ele esteve entre 1996 e 1999.

Se o acordo da coalizão for aprovado pelo Parlamento, Naftali Bennett seria o primeiro chefe de governo religioso da história do Estado judeu a usar quipá e respeitar estritamente o sabá.

Filho de imigrantes americanos, nascido em 25 de março de 1972 em Haifa (norte), Bennett se estabeleceu no início dos anos 2000 como um dos queridinhos da "nação start-up", graças à sua empresa de segurança cibernética Cyotta, vendida por 145 milhões de dólares em 2005, antes de dar o salto para a política no Likud de Netanyahu no ano seguinte.

- Comentários enérgicos -

Dois anos depois, Bennett deixou o Likud para liderar o Conselho de Yesha, o principal grupo de defesa de milhares de colonos israelenses na Cisjordânia ocupada.

Em 2012, ele chocou todo o cenário político israelense ao assumir o controle da formação de extrema direita "Lar Judaico", que seduziu parte dos colonos com comentários enérgicos.

Um exemplo? O conflito com os palestinos não tem solução, mas deve ser suportado como um "disparo de obus no traseiro". Outro: não há ocupação israelense na Cisjordânia, já que "nunca houve um Estado palestino". E ainda: "você tem que matar os terroristas, não libertá-los", referindo-se aos prisioneiros palestinos.

Este especialista em segurança cibernética, baseado na próspera cidade de Raanana (centro de Israel), foi Ministro da Defesa (2018-2019), prometendo ao Irã fazer um "Vietnã" se continuasse a se estabelecer militarmente na vizinha Síria.


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