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Estado de Minas CAIRO

Egito em intensa gestão diplomática para um cessar-fogo permanente em Gaza


30/05/2021 17:41 - atualizado 30/05/2021 17:43

O Egito realizou intensa atividade diplomática neste domingo (30) para tentar consolidar o cessar-fogo entre Israel e o movimento islamita palestino Hamas, em particular com a visita ao Cairo do chefe da diplomacia israelense, a primeira do gênero em 13 anos.

Ao mesmo tempo, o chefe dos serviços de inteligência egípcios, Abbas Kamel, se reuniu em Jerusalém com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e em Ramallah (Cisjordânia ocupada) com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.

Com o primeiro-ministro israelense, as discussões se concentraram principalmente na "intensificação da cooperação" entre os dois países vizinhos, segundo nota do gabinete de Benjamin Netanyahu.

Netanyahu se referiu à questão dos israelenses detidos em Gaza, que é a principal demanda para futuras negociações com o Hamas, assim como "os meios para impedir" o movimento islâmico de usar os "recursos alocados à população" para a reconstrução da Faixa de Gaza, de acordo com a mesma fonte.

Em Ramallah, Abbas Kamal discutiu com Mahmud Abbas sobre "o apaziguamento global em Jerusalém, Cisjordânia e Gaza", sobre a "reconstrução" do enclave - fronteiriço com o Egito - e sobre o "diálogo palestino" entre os movimentos Fatah e o Hamas, de acordo com a agência oficial palestina Wafa.

Negociado pelo Egito, um país vinculado desde 1979 por um tratado de paz com Israel e um mediador tradicional entre palestinos e israelenses, um cessar-fogo foi instituído em 21 de maio após uma nova guerra devastadora entre Israel e o Hamas.

De 10 a 21 de maio, 254 palestinos foram mortos em ataques israelenses na Faixa de Gaza, incluindo 66 crianças e combatentes, segundo autoridades locais. Em Israel, foguetes disparados de Gaza mataram 12 pessoas, incluindo uma criança, um adolescente e um soldado, segundo a polícia.

Também se espera que o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, visite o Egito, segundo uma fonte da segurança egípcia.

No Cairo, o chanceler israelense Gabi Ashkenazi manteve conversas com seu colega egípcio, Sameh Shoukry, com o objetivo de "reacender o caminho da paz e reforçar o cessar-fogo em Gaza", de acordo com um tuíte do ministério egípcio das Relações Exteriores.

- "Sensibilidade particular" -

Na reunião foram discutidas as possibilidades de "facilitar rapidamente a reconstrução" na Faixa de Gaza e Shoukry enfatizou a "necessidade de levar em consideração a sensibilidade particular [que envolvem] Jerusalém Oriental, a Mesquita de Al Aqsa e todos os locais sagrados muçulmanos e cristãos", segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores egípcio.

O conflito, o quarto desde 2008, teve início em 10 de maio depois que o Hamas disparou salvas de foguetes contra Israel em solidariedade, segundo o movimento, às centenas de palestinos feridos durante os enfrentamentos com a polícia israelense em Jerusalém oriental, setor palestino da Cidade Santa, ocupado por Israel desde 1967.

Estes confrontos se originaram da ameaça de expulsão de famílias palestinas em benefício de colonos israelenses.

Em um comunicado, Ashkenazi declarou que Israel "não permitirá [...] que o Hamas reconstrua suas infraestruturas terroristas" e reforçou que se devia encontrar uma solução pra a questão da repatriação dos corpos de dois soldados mortos em combate em 2014 e de dois civis israelenses detidos no enclave.

Durante a visita, que o ministro israelense considerou "importante" em um tuíte, também se tratou do "reforço da cooperação econômica e comercial, incluindo a retomada de voos diretos entre os dois países".

Já chegaram ao enclave palestino dezenas de caminhões com ajuda internacional, e a ONU fez um apelo para arrecadar 95 milhões de dólares para ajudar Gaza e a Cisjordânia ocupada, que se somariam aos 18 milhões de dólares desbloqueados durante o conflito.

Egito e Catar prometeram cada um 500 milhões de dólares em ajuda (410 milhões de euros) para reconstruir Gaza, onde vivem dois milhões de pessoas, submetidas a um bloqueio israelense há 15 anos.

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, assegurou que quer "reconstruir" as relações de Washington com os palestinos e mencionou uma ajuda urgente de 5,5 milhões de dólares para Gaza, além dos 75 milhões de dólares de ajuda ao desenvolvimento econômico, destinada aos palestinos.

Estas ajudas, que ainda têm que ser aprovadas pelo Congresso, não serão destinadas ao Hamas, disse Blinken.


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