O Tribunal Distrital de Jerusalém decidiu adiar a audiência no caso de cerca de 40 palestinos ameaçados de despejo no bairro de Silwan, perto da Cidade Velha, para estudar um pedido das famílias, que reivindicam "a opinião do procurador-geral", informou seu advogado, Yazid Qawaar, à AFP.
"É evidente que o governo (israelense) apoia o projeto dos colonos e, portanto, o procurador-geral deve assumir suas responsabilidades", acusou Qawaar, acrescentando que o tribunal poderá anunciar sua decisão no decorrer da semana.
Dezenas de pessoas protestaram hoje em frente ao tribunal, em apoio a essas famílias. Vários policiais israelenses foram mobilizados para o local, segundo jornalistas da AFP.
No centro do processo, está a propriedade de terras, nas quais são construídas casas onde vivem os palestinos, mas que são cobiçadas pelos colonos, em Jerusalém Oriental. Este setor palestino da cidade é ilegalmente ocupado e anexado por Israel, segundo a ONU.
De acordo com a lei israelense, se os judeus conseguirem provar que sua família vivia em Jerusalém Oriental antes da guerra de 1948, eles podem pedir a devolução de seus "direitos de propriedade". Esse benefício inexiste, porém, para os palestinos que perderam seus bens durante a guerra.
Em 9 de maio, um tribunal de Jerusalém adiou uma audiência em um caso parecido sobre outro bairro de Jerusalém Oriental, Sheikh Jarrah. Lá, manifestações de apoio às famílias geraram confrontos com a polícia israelense na Esplanada das Mesquitas, o terceiro local sagrado do Islã e o lugar mais sagrado do Judaísmo.
Depois desses confrontos, que deixaram centenas de feridos, palestinos em sua maioria, explodiu um violento conflito entre Israel e o Hamas, movimento islâmico que governa a Faixa de Gaza. Nessa escalada, entre 10 e 21 de maio, morreram 254 palestinos e 12 israelenses.