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Estado de Minas SAN SALVADOR

Bukele pede aos EUA não destinar cooperação econômica a oponentes em El Salvador


26/05/2021 00:23

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, pediu aos Estados Unidos nesta terça-feira (25) que não financiem os partidos da oposição com fundos de cooperação econômica que antes eram destinados a apoiar algumas instituições estatais em seu país.

"Onde quer que a USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) queira dar seu dinheiro, eles podem, desde que não seja financiando movimentos políticos de oposição, porque isso é ilegal (...) Pessoalmente, acho que seria bom que invistam em organizações reais e não em organizações de oposição", afirmou Bukele em entrevista coletiva.

Na sexta-feira, os Estados Unidos informaram que redirecionarão a cooperação que a USAID prestou à Polícia e ao Instituto de Acesso à Informação de El Salvador à sociedade civil no combate à corrupção.

A medida foi adotada após os Estados Unidos questionarem algumas decisões do Congresso relacionadas a Bukele.

O presidente de El Salvador garantiu que não pretende pedir aos Estados Unidos a devolução dos recursos retirados. "Não vamos buscar uma reorientação [dos fundos]", afirmou.

A reação do presidente veio depois que um deputado próximo ao governo anunciou uma possível viagem a Washington da chanceler salvadorenha, Alexandra Hill, para advogar pela ajuda.

Os Estados Unidos se distanciaram de Bukele após a recém-instaurada Assembleia Legislativa -dominada pelo partido no poder- destituir um grupo de magistrados e o procurador-geral no dia 1º de maio, causando indignação internacional e dos setores da oposição pelo desrespeito à separação de poderes no país.

"O respeito por um judiciário independente, um compromisso com a separação de poderes e uma sociedade civil forte são componentes essenciais de qualquer democracia", enfatizou a USAID.

Após a decisão do Congresso de El Salvador, a vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, garantiu que Washington deveria "responder", e o enviado especial de Joe Biden para o Triângulo Norte da América Central, Ricardo Zúñiga, pediu que os destituídos fossem reintegrados.

"Já deixamos claro que as mudanças de 1º de maio são irreversíveis e já viramos a página (...) Já nem discutimos isso nas nossas reuniões", enfatizou Bukele nesta terça-feira.

Nos Estados Unidos vivem 2,5 dos 3 milhões de salvadorenhos que residem no exterior e suas remessas representam 22% do PIB do país.


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