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Estado de Minas BAMAKO

Líder golpista retoma controle no Mali e gera crítica internacional e ameaças de sanções


25/05/2021 16:00

O líder golpista no Mali, coronel Assimi Goita, afirmou nesta terça-feira (25) que destituiu o presidente e o primeiro-ministro de transição de suas prerrogativas, no que parece ser um segundo golpe de Estado, que gerou condenação internacional e ameaças de sanções.

O presidente Bah Ndaw, o primeiro-ministro Moctar Ouane e outros altos funcionários foram detidos na segunda-feira por soldados insatisfeitos com a remodelação do governo anunciada pelas autoridades de transição neste país crucial para a estabilidade do Sahel, que sofre com a propagação jihadista.

Goita acusou o presidente Bah Ndaw e o primeiro-ministro Moctar Ouane de terem formado um novo governo sem consulta prévia, apesar de ser responsável pela defesa e segurança de um país em guerra e crise.

"Esta atitude mostra uma vontade clara do presidente da transição e do primeiro-ministro de avançar para uma violação da carta transitória" e "evidencia uma intenção de sabotar a transição", disse ele.

O presidente da França, Emmanuel Macron, cujo país destacou mais de 5.000 soldados contra os jihadistas no Sahel, descreveu os eventos como "golpe inaceitável" e convocou nesta terça-feira uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.

Os países da União Europeia (UE) "estão prontos, nas próximas horas, para adotar sanções específicas" contra os protagonistas da crise política no Mali, disse Macron, em conferência de imprensa em Bruxelas, após uma cúpula de líderes do bloco.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu "calma" ao Mali e pediu a libertação de líderes civis.

Os Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, a Missão das Nações Unidas no Mali (Minusma), a Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), a União Africana (UA) também apelaram à "libertação imediata e incondicional" dos detidos e o retorno à transição política para que os civis retornem ao poder.

O mediador da CEDEAO, Jonathan Goodluck, chegou a Bamako nesta terça-feira em um novo momento crítico.

- Eleições em "curso normal" -

As autoridades de transição anunciaram a organização em fevereiro-março de 2022 de eleições presidenciais e legislativas.

"O processo de transição continuará seu curso normal e as eleições planejadas serão realizadas durante 2022", disse Goita em um comunicado transmitido na televisão pública.

Goita e outros líderes militares conduziram um golpe que derrubou o presidente democraticamente eleito Ibrahim Boubacar Keita em 18 de agosto de 2020 e instalou autoridades de transição.

Os militares prometeram, sob pressão internacional, restaurar o poder aos civis eleitos após 18 meses. No entanto, eles mantiveram as rédeas do poder.

Na segunda-feira, os militares levaram o presidente, o primeiro-ministro, o novo ministro da Defesa e altos assessores do governo de transição ao campo de Kati, um importante local do aparato de defesa a poucos quilômetros de Bamako, onde Keita teve que anunciar sua renúncia.

Estão "sãos e salvos. Passaram a noite em boas condições. O presidente foi ao médico", disse um oficial militar, sob anonimato.

Os militares interpretaram mal o fato de que dois dos seus membros foram retirados das carteiras estratégicas de Defesa e Segurança do novo governo, o que, no entanto, manteve a preponderância dos militares, segundo analistas.

Recebidos inicialmente por uma população exasperada pela insegurança, corrupção e pobreza, os militares estão, no entanto, expostos à reprovação pelo fato de que agora não querem deixar o poder.

A socióloga Bréma Ely Dicko vê os acontecimentos como o prolongamento previsível do golpe de 2020.

"O que se vive hoje é uma consequência lógica das deficiências do início da transição", quando os coronéis deixaram de fora os partidos e organizações da sociedade civil que lideraram durante meses os protestos contra o antigo governo.


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