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Estado de Minas WASHINGTON

Cúpula Biden-Putin será em 16 de junho em Genebra


25/05/2021 19:39 - atualizado 25/05/2021 19:43

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, terão sua primeira cúpula no próximo mês em Genebra - anunciaram ambas as partes nesta terça-feira (25), preparando a cena para um novo capítulo na tensa relação entre os dois países.

A reunião na cidade suíça - sede de muitas agências da ONU e palco de uma cúpula histórica em 1985 entre o então líder soviético Mikhail Gorbachev e o presidente norte-americano Ronald Reagan - será em 16 de junho, informou a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki.

"Os líderes discutirão toda a gama de assuntos urgentes, enquanto buscamos restaurar a previsibilidade e a estabilidade da relação entre Estados Unidos e Rússia", completou.

O Kremlin confirmou o encontro e disse, em um comunicado, que Putin e Biden discutirão "questões de estabilidade estratégica", assim como "a resolução de conflitos regionais" e a pandemia de covid-19.

Biden, que fará sua primeira viagem internacional como presidente, irá a Genebra imediatamente após as cúpulas com seus aliados ocidentais-chave do G7, da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da União Europeia.

A reunião com o líder do Kremlin ocorre em meio a níveis de tensão que não eram vistos há anos, e quando Washington reduziu suas ambições a apenas uma relação em que ambas as partes se entendam e possam trabalhar juntas em áreas específicas.

A reunião de alto nível ocorre em um momento em que Putin enfrenta um Ocidente em grande medida hostil, mas a decisão de Biden de se reunir não deve ser vista como um sinal de aprovação, dizem funcionários da Casa Branca. "Não consideramos o encontro com o presidente russo uma recompensa", disse Psaki.

Desde que assumiu o cargo em janeiro, Biden impôs novas sanções contra Moscou em resposta ao que as autoridades americanas consideram que foi o papel da Rússia no ciberataque maciço da SolarWinds e a repetida ingerência nas eleições presidenciais de 2020.

Washington também criticou Moscou duramente pelo envenenamento e a posterior prisão de um dos últimos opositores abertos a Putin, Alexei Navalny.

O anúncio da cúpula ocorre no mesmo dia em que Navalny afirmou que é alvo de três novos processos penais, no momento em que cresce a pressão contra seu movimento e seus seguidores.

As tensões também estão altas na Ucrânia, onde a Rússia já controla partes do território e tropas recentemente concentradas na fronteira, em uma nova demonstração de força.

E um novo foco de atrito foi inaugurado após o desvio de um avião comercial pela Belarus para prender um jornalista opositor que estava entre os passageiros. Se Washington e as capitais europeias condenaram Minsk, Moscou renovou seu apoio.

Além disso, não se pode esquecer que Biden disse a um entrevistador que concordava com a descrição de Putin como um "assassino", enquanto o governo russo declarou formalmente os Estados Unidos como um país "hostil".

- Acalmar as águas -

As recriminações abertas estão muito longe da relação frequentemente intrigante entre Putin e o antecessor de Biden, Donald Trump.

A cúpula de Genebra acontecerá quase três anos depois que Trump apoiou o líder do Kremlin, e não a avaliação das agências de Inteligência americanas, sobre se Moscou interferiu nas eleições presidenciais americanas de 2016.

Os dois lados estão trabalhando, no entanto, para acalmar as águas antes da cúpula de Genebra. Nesse sentido, a Casa Branca enfatiza as esperanças de trabalhar junto com a Rússia em questões estratégicas bem definidas, como o controle de armas nucleares e as negociações nucleares do Irã.

Para preparar o terreno, o chefe da diplomacia dos EUA, Antony Blinken, e o veterano ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, tiveram uma reunião na semana passada, na capital da Islândia, Reykjavik.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse após a reunião Blinken-Lavrov que retomar os laços "não será fácil", mas viu "um sinal positivo".

Moscou recebeu com satisfação a decisão dos Estados Unidos de renunciarem às sanções que atrasaram a finalização do gasoduto de gás natural Nord Stream 2, uma importante rota de fornecimento de energia da Rússia à Europa. Washington teme que a União Europeia se torne muito dependente dos russos.


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