Antes da quinta rodada de negociações em Viena para tentar resgatar o acordo, Blinken foi questionado sobre informações do lado iraniano indicando que Washington já havia concordado em suspender algumas das sanções contra a economia iraniana.
"Nós sabemos quais sanções devem ser levantadas se forem incompatíveis com o acordo nuclear", disse à ABC, considerando que o mais importante é que o Irã "saiba o que precisa fazer para cumprir novamente as questões nucleares".
"O que não vimos é se o Irã está pronto para tomar uma decisão", completou. "Esse é o teste e ainda não temos uma resposta."
"A suspensão das sanções do (ex-presidente americano, Donald) Trump (...) é uma obrigação legal e moral. NÃO uma ferramenta para obter uma vantagem nas negociações",reagiu no Twitter o chanceler iraniano, Mohamad Javad Zarif.
O republicano retirou o país do acordo em 2017, dizendo que Teerã havia violado seu "espírito" e permanecia uma ameaça regional.
Seu sucessor, Joe Biden, quer retomar o compromisso. Para que isso aconteça, Washington deve concordar em suspender as sanções restabelecidas por Trump e Teerã deve se comprometer a cumprir os termos do acordo. Assim que Trump abandonou o acordo, a república islâmica começou a suspender as restrições à sua produção de material nuclear.
Os participantes europeus nas negociações de Viena expressaram otimismo após a última rodada de negociações, concluída na quarta-feira. "Fizemos bons progressos", tuitou Enrique Mora, autoridade da União Europeia que presidiu as negociações entre Rússia, China, Alemanha, França, Reino Unido e Irã. "Desenha-se um acordo", acrescentou.
Negociações indiretas entre Washington e Teerã vêm ocorrendo na capital austríaca desde o início de abril, com os outros cinco países signatários do acordo atuando como intermediários. Diplomatas esperam que os Estados Unidos voltem oficialmente para o acordo antes das eleições presidenciais iranianas de 18 de junho.
Enquanto isso, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) anunciou que adiaria para amanhã uma coletiva de imprensa em Viena de seu diretor-geral, Rafael Mariano Grossi, que "continua as consultas com Teerã sobre o entendimento técnico entre o Irã e a agência da ONU".
No fim de fevereiro, Teerã limitou o acesso da AIEA às instalações nucleares que vem monitorando, mas permitiu que algumas inspeções continuassem enquanto as negociações de Viena se desenrolavam.