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Estado de Minas WASHINGTON

Biden apoia Israel em meio a críticas crescentes nos EUA

Israel conta com os Estados Unidos como um escudo diplomático em sua crise com os palestinos


17/05/2021 18:53 - atualizado 17/05/2021 19:59

A linha do presidente Joe Biden tem sido consistente com o espírito dos governos democratas anteriores(foto: Saul Loebe/AFP)
A linha do presidente Joe Biden tem sido consistente com o espírito dos governos democratas anteriores (foto: Saul Loebe/AFP)
Como acontece há décadas, Israel conta com os Estados Unidos como um escudo diplomático em sua crise com os palestinos. No entanto, o inquebrantável apoio americano é cada vez mais precário à medida que os setores mais progressistas do Partido Democrata promovem a defesa dos direitos dos palestinos.

Enquanto a violência entra na segunda semana e deixa mais de 200 mortos, a maioria palestinos, Israel se transforma, como poucas vezes, em um tema cada vez mais partidário, com o Partido Republicano do ex-presidente Donald Trump vangloriando-se de seu apoio incondicional a Israel e a seu primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.

A linha do presidente democrata Joe Biden tem sido consistente com o espírito dos governos democratas anteriores: não há discussão pública com Israel, mas esforços diplomáticos destinados a restaurar a calma,

Esta abordagem rendeu a Biden elogios em Israel, embora em muito poucos outros lugares.

Até mesmo o senador democrata Bob Menéndez, presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, considerado pró-israelense, disse estar "profundamente preocupado" com os ataques israelenses em Gaza que mataram civis e destruíram escritórios de veículos de imprensa, pedindo "uma prestação de contas completa" a Israel.

O senador Bernie Sanders, principal adversário de Biden na corrida pela candidatura democrata no ano passado, qualificou a situação como "inconcebível" e, em uma ameaça que no passado seria um tabu em Washington, disse que os Estados Unidos deveriam "avaliar atentamente" os quase 4 bilhões de dólares em ajuda militar que fornece todos os anos a Israel.

Israel goza historicamente do apoio dos democratas, devido em parte a que o partido é o favorito dos judeus americanos e às raízes socialistas de Israel.

Mas Sanders, ele próprio de origem judaica, e outros progressistas americanos observam o conflito israelense-palestino pelo prisma de movimentos mais amplos pela justiça social, especialmente quando Netanyahu se agarra ao poder através de uma aliança com a extrema direita.

Em um artigo de opinião no jornal The New York Times, Sanders escreveu que Netanyahu "cultivou um tipo de nacionalismo racista cada vez mais intolerante e autoritário" e terminou com a frase: "Palestinian lives matter" (As vidas dos palestinos importam), parafraseando o lema antirracista "Black lives matter".

A congressista de origem hispânica Alexandria Ocasio-Cortez, uma das democratas progressistas de maior destaque, instou agir contra o "apartheid" israelense, um termo que enfurece Israel, mas que recentemente foi apoiado pela organização Human Rights Watch (HRW), que disse que o governo israelense aplicava uma política de domínio judaico sobre os palestinos.

"O presidente e muitas outras personalidades declararam esta semana que Israel tem o direito à autodefesa. Mas os palestinos têm direito de sobreviver? Acreditamos nisso? E se for assim, temos uma responsabilidade", disse Ocasio-Cortez.

Desavenças democratas com Biden


Israel lançou a ofensiva depois que o Hamas começou a disparar foguetes contra o Estado hebreu, que o movimento islamita que controla Gaza justificou como uma resposta ao agir israelense em Jerusalém oriental, em prejuízo da comunidade palestina.

Logan Bayroff, do grupo progressista pró-Israel J Street, disse que há um reconhecimento crescente de que o agir israelense, inclusive as medidas para desalojar as famílias palestinas em Jerusalém oriental, contribuindo para a crise.

"Está se vendo muito mais disposição em um amplo espectro do Partido Democrata para criticar não só os foguetes do Hamas, mas também a política do governo israelense", assegurou Bayroff.

"Isso gera um contraste bastante forte com a forma como a administração Biden, infelizmente, parece estar em outra página, de uma forma que francamente não é adequada para a gravidade da crise", considerou.

O governo Biden não pediu explicitamente um cessar-fogo e nesta segunda bloqueou pela terceira vez uma declaração no Conselho de Segurança da ONU, alegando que apoiá-la seria contraproducente para seus esforços diplomáticos para apaziguar a situação.

Uma esmagadora maioria de americanos ainda vê Israel de forma positiva, segundo uma pesquisa do instituto Gallup em fevereiro, embora 34% pediram maior pressão sobre o governo israelense para resolver o conflito, no nível mais elevado desde 2007, quando a pergunta começou a ser feita.

Segundo uma pesquisa do instituto Pew deste ano, mais da metade dos judeus americanos qualificaram negativamente Netanyahu e quase dois terços expressaram otimismo sobre a coexistência com um Estado palestino.

O apoio do "falcão" a Israel não provém dos judeus americanos, mas da direita cristã, onde alguns veem justificativas bíblicas para defender o Estado judeu.

O senador republicano Todd Young somou-se aos pedidos de cessar-fogo, mas boa parte do partido acusa Biden a não dar apoio suficiente a Israel e acusa a esquerda democrata de se alinhar com o Hamas, grupo ao qual Washington considera grupo terrorista.

"Não existe uma equivalência moral entre Israel e o Hamas", destacou o líder republicano da Câmara de Representantes, Kevin McCarthy, destacando que "os Estados Unidos apoiam inequivocamente nosso aliado Israel e o povo judeu".


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